Dia Nacional do Livro ou "Día Nacional del Libro" (12 de novembro)

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta para esse artigo: http://datascomemorativas.org/X6qD

O Dia Nacional do Livro ou "Día Nacional del Libro" em 12 de novembro de cada ano, é uma comemoração de mexicanos, que foi criada por um Decreto Presidencial de 31 de outubro ou 6 de novembro de 1979, e que conta com o apoio da "Câmara Nacional de Livreiros" ou "Cámara Nacional de Libreros" e de empresas de editoração do México.

De acordo com o Decreto supracitado do México, esse dia festivo de mexicanos deverá ser celebrada com a venda e exposição de livros nas principais ruas e praças da República do México, sob a organização da Secretaria mexicana de Educação Pública ou "Secretaría de Educación Pública" e Secretaria de Governança ou "Secretaría de Gobernación", em conjunto com os Governos estaduais e municipais.

Essa data comemorativa de mexicanos, tem por fim, marcar a data do aniversário do nascimento da dramaturga, Poetiza e religiosa mexicana da 2ª metade do século XVII, Irmã Juana Inés de la Cruz [Juana Inés de Asbaje y Ramírez de Santillana], que veio ao mundo em 12 de novembro de 1651, e que foi a última das escritoras do "Século de Ouro" ou "Siglo de Oro" no barroquismo dos espanhóis, cultivando a lírica, o auto sacramental e o teatro, além da prosa, tendo sido chamada também por sua grande importância como "o Fênix das Américas ou "el Fénix de América", "A Décima Musa" ou "la Décima Musa" e "A Décima Musa Mexicana" ou "la Décima Musa mexicana".

Para conhecimento, a homenageada nasceu numa fazenda de San Miguel Nepantla, junto a um povoado do vale do México, próximo a Amecameca, e aprendeu náhuatl com seus vizinhos. Filha natural da "criolla" mexicana, Isabel Ramírez de Santillana, com o militar espanhol da província basca de Guipúzcoa, Pedro Manuel de Asbaje y Vargas Machuca, descobriu a biblioteca de seu avô e assim tornou-se aficionada pelos livros. Aprendeu tudo o que era conhecido em sua época, isto é, leu os clássicos gregos e romanos e a teologia do momento. Aprendeu português e latim por conta própria e como autodidata, em vinte lições. de acordo com o que se sabe a partir dos dados que se mencionam em algumas de suas obras e por informações referendadas pelo escritor e diplomata mexicano, Marco Aurelio Almazán, o fez escutando as aulas que eram dadas à sua irmã, isto é, às escondidas.

Quando adolescente, esteve na corte vice-real mexicana, e sobre esse tempo há muito poucos dados biográficos, ainda que se saiba que foi dama de companhia da vice-rainha da corte vice-real mexicana, Marquesa de Mancera. Quis entrar na Universidade e em algum momento passou pela sua cabeça vestir-se de homem por ser uma mulher muito a frente de seu tempo, mas, no final das contas, concluiu que era menos disparatado tornar-se monja. Depois de uma tentativa fracassada com as Carmelitas, cuja regra era de uma rigidez extrema que a levou a um período de convalescênça, ingressou na Ordem das Jerônimas, onde a disciplina era algo mais relaxada. Tinha uma cela de dois andares e governanta. Ali passou a sua vida, escrevendo versos sacros e profanos, canções a cada Natal, autos sacramentais e duas comédias de capa-e-espada. Também serviu com bastante habilidade, como administradora do convento.

Com a erudição acumulada durante anos de estudo, correspondia-se com os grandes nomes do mundo hispânico em seu tempo, tendo escrito até ao Papa. Sóror Juana escreveu literatura centrada na liberdade, o que era um prodígio naquela época. No seu poema "Homens Estúpidos" ou "Hombres Necios", ela defende o direito da mulher a ser respeitada como ser humano e critica o sexismo da sociedade do seu tempo, gozando dos homens que condenam a prostituição, ao mesmo tempo em que se aproveitam da existência das prostitutas. Além de livros religiosos, como a Bíblia, que representavam certamente mais de 90% dos livros que chegavam à América na época, há relatos de que ela possuía obras atípicas para um cidadão da América do século XVII, como por exemplo, escritos de Leibniz, dentre outros.

Tendo desencadeado a ira do jesuíta e seu confessor, Antonio Núñez de Miranda, ao ser recriminada como escritora, por ele acreditar que tal trabalho seria vedado à mulher, acrescido ao fato de seus frequentes contatos com as mais altas personalidades da época devido à sua grande fama intelectual, ela decidiu rejeitar o referido jesuíta como confessor, sob a proteção da vice-rainha, Marquesa de Laguna, fazendo com que essa amizade com as vice-rainhas, Marquesa de Mancera e Marquesa de Laguna, ficasse plasmada nos versos que, usando o código do amor cortês, levaram a uma interpretação possivelmente errônea das mesmas a respeito de certas tendências lésbicas. Às duas que coincidiram temporalmente com ela escreveu poemas bastante inflamados e a uma dedicou um retrato e um anel. Foi precisamente uma das vice-rainhas a 1ª a publicar poemas de Sóror Juana.

Sóror Juana também viu-se envolvida em uma disputa teológica, a raiz de uma crítica privada que realizou sobre um sermão do muito conhecido do pregador da época e jesuíta português no Brasil, Padre Antônio Vieira, que foi publicada pelo bispo de Puebla, Manuel Fernández de Santa Cruz, e prefaciada por ele, sob o pseudônimo de "Sóror Filotea", o que provocou a reação da poetisa através do escrito "Resposta a Sóror Filotea" ou "Respuesta a Sor Filotea", onde faz uma inflamada defesa do trabalho intelectual da mulher. Por esse valoroso texto e por outras obras suas como a acima mencionada "Hombres Necios", Sóror Juana pode ainda ser considerada, com justiça, como a 1ª feminista das Américas.

Pouco antes de sua morte, num tempo, em que a "Santa Inquisição" estava plenamente ativa, Sóror Juana foi obrigada por seu confessor a desfazer-se de sua biblioteca e de sua coleção de instrumentos musicais e científicos. Morreu durante uma epidemia, em 17 de abril de 1695 com apenas 43 anos de idade, tendo, antes disso, chegado a socorrer várias de suas irmãs.

Entre suas muitas obras, se conta uma grande quantidade de poemas galantes, poemas de ocasião para presentes ou aniversários de seus amigos, poesias de salão sobre costumes ou amizades sugeridas por outros, letras para se cantar em diversas celebrações religiosas e duas comédias chamadas "Amor é mais Confusão" ou "Amor es más Laberinto" e "As Obrigações de uma Casa" ou "Los Empeños de una Casa".
Segundo ela própria, quase todo o seu escrito era por encomenda, e a única coisa que escreveu por gosto próprio, foi uma poesia filosófica chamada "O Sonho" ou "El Sueño", que muitas vezes se edita com o título de "Primeiro Sonho" ou "Primer Sueño", e que se trata de uma alegoria de várias centenas de linhas em forma de poesia, acerca da ânsia de saber, o vôo do pensamento, e a sua consequente queda trágica (acaso premonitório de Frankenstein). Sóror Juana também escreveu um tratado de música, chamado "O Caracol" ou "El Caracol", que está perdido. A despeito do que ela mesma disse, no entanto, seus escritos sobre a liberdade da mulher, por certo não foram encomendados, mas tampouco devem ter sido por ela escritos por gosto, e sim, provavelmente, para defender sua própria posição social como intelectual livre.

O estudo de maior autoridade sobre Sóror Juana de que se tem conhecimento, foi escrito pelo poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano, além de Prêmio Nobel de Literatura de 1990, Octavio Paz, com o título de "Sóror Juana Inés de la Cruz ou as Armadilhas da Fé" ou "Sor Juana Inés de la Cruz o las Trampas de la Fe", editado pelo Fundo de Cultura Econômica ou "Fondo de Cultura Económica" do México.

A editora Porrúa publica as obras completas de Sóror Juana em um prático volume da coleção "quantos… Saibam" ou "Sepan cuántos…", o célebre número 100, despojado, sem aparato acadêmico, salvo por um sóbrio e breve estudo preliminar.

Barroca até a medula, Sóror Juana era muito dada a fazer trocadilhos, a verbalizar substantivos e substantivar verbos, a acumular três adjetivos sobre um único substantivo e reparti-los por toda a oração, e ter todas essas liberdades gramaticais que estavam em moda no seu tempo. Por isso, e também porque ela gostava muito de fazer referências mitológicas que hoje em dia não pertencem à cultura geral das pessoas, a leitura de suas obras é bastante árdua para o cidadão comum. Dar uma lida em "Metamorfoses" de Ovídio, será de muita utilidade para quem quiser desfrutar de Sóror Juana e ficar com menos dúvidas depois da leitura de seus escritos.

Fontes consultadas em 15 de novembro de 2016 às 05:14:42:

  1. pizarrondigital.wordpress.com/…
  2. www.afntijuana.info/…
  3. pt.wikipedia.org/…

Para dúvidas, críticas, sugestões, reclamações, convites e outros assuntos, por favor, Entre em contato

Antonio Cezar é cego, dedica ± 4 hhoras/dia na maior coleção [RankBrasil] em Datas Comemorativas e seus porquês, e conta com você. Clique e colabore!

Ocultar

Foto do Locutor Antonio Cezar

Você pode entrar em contato para saber como ajudar ou doar qualquer quantia, na Caixa Econômica Federal ou numa lotérica perto de você, para Antonio Cezar, agência 2992, operação 13, conta poupança 8655-1. Por exemplo, moedas do troco no pagamento de suas contas serão sempre bem-vindas.

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta: http://datascomemorativas.org/X6qD

RSS/XML