Dia Nacional da Comunidade Árabe (25 de março)

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Próxima Celebração "Dia Nacional da Comunidade Árabe": Domingo, 25 de Março de 2018, : daqui 274 dias, 23:32:04-03:00.
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O Dia Nacional da Comunidade Árabe em 25 de março de cada ano, é uma comemoração no Brasil, que foi instituída pela Lei Nº 11.764 de 5 de agosto de 2008, e que conta também com o "Dia da Comunidade Árabe" no Estado brasileiro do Mato Grosso.

Essa data comemorativa de brasileiros é uma forma de se prestar um tributo aos imigrantes árabes que se fixaram inicialmente na cidade brasileira de São Paulo-SP, com seus estabelecimentos comerciais concentrados na rua 25 de Março e cercanias, até hoje tida como a mais movimentada área de comércio popular da capital paulista,com inovações que até hoje são vistas como características do comércio popular, tais como a alta rotatividade, a alta quantidade de mercadorias vendidas, as promoções e as liquidações, muito embora se reconheça que a contribuição dos árabes não se restrinja ao comércio. Sua influência cultural se dá em todas as áreas. sendo a própria presença de inúmeros personagens árabes nas artes brasileiras um sinal marcante dessa contribuição. Apesar de serem mais lembrados pela influência na culinária, são marcantes também na indústria, na literatura, no cinema, no direito e na academia.

Para conhecimento, os árabes são um grupo étnico nativo que habita principalmente o Oriente Médio e a África setentrional, e que é originário da península Arábica, a qual é constituída majoritariamente por regiões desérticas. As dificuldades de plantio e criação de animais fizeram com que parte de seus habitantes se tornassem nômades, vagando em caravanas pelo deserto, em busca de água e de melhores condições de vida. A essas tribos do deserto, dá-se o nome de beduínos. Existem três fatores que podem ajudar, em graus diversos, na determinação se um indivíduo é considerado árabe ou não: políticos - se ele vive em um país membro da Liga Árabe (ou, de maneira geral, no mundo árabe), cujo critério cobre mais de trezentos milhões de pessoas; linguísticos - se sua língua materna é o árabe, critério este que cobre mais de duzentos milhões de pessoas; e genealógicos - se se pode traçar sua ascendência até os habitantes originais da península arábica.

A importância relativa desses fatores é estimada diferentemente por diferentes grupos. Muitas pessoas que se consideram árabes o fazem com base na sobreposição da definição política e linguística, mas alguns membros de grupos que preenchem os dois critérios rejeitam essa identidade com base na definição genealógica. Não há muitas pessoas que se consideram árabes com base na definição política sem a linguística; assim, os curdos ou os berberes, geralmente, se identificam como não árabes — mas alguns sim: por exemplo, alguns Berberes consideram-se Árabes, e nacionalistas árabes consideram os Curdos como Árabes.

Quando da sua formação em meados da década de 1940, a Liga Árabe, por exemplo, uma organização de estados árabes fundada em 1945 por 7 países, na cidade egípcia do Cairo, com o objetivo de reforçar e coordenar os laços econômicos, sociais, políticos e culturais entre os seus membros, assim como mediar disputas entre estes, além de "aproximar as relações entre os estados membros, coordenar a colaboração entre eles para proteger sua independência e soberania, e considerar, de uma forma geral, os negócios e os interesses dos países árabes", que compreende atualmente 22 estados (Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Arábia Saudita, Iêmen, Líbia, Sudão, Marrocos, Tunísia, Kuwait, Argélia, Emirado Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Omã, Mauritânia, Somália, Palestina, Djibouti, Comores, a Eritreia, que é observadora desde 2003, e a Síria, que está suspensa desde novembro de 2011, por causa da Guerra Civil Síria, numa votação em que a Síria, o Líbano e o Iémen votaram contra, enquanto o Iraque se absteve) que possuem no total uma população superior a 200 milhões de habitantes, assim definiu um árabe: "uma pessoa cuja língua é o árabe, que vive em um país de língua árabe e que tem simpatia com as aspirações dos povos de língua árabe".

Segundo o compositor e etnomusicologista palestino, Habib Hassan, por exemplo, enquanto autor de uma série de livros, ensaios e artigos sobre música árabe e editor de revisões de livros no Instituto Internacional de Música Tradicional ou "International Institute for Traditional Music" na cidade alemã de Berlim, "A essência da cultura árabe envolve: língua árabe; Islã; tradição e costumes". E assim, "Um árabe, no sentido moderno da palavra, é alguém que é cidadão de um estado árabe, conhece a língua árabe e possui um conhecimento básico da tradição árabe, isto é, dos usos, costumes e sistemas políticos e sociais da cultura árabe".

A definição genealógica foi largamente utilizada durante a Idade Média, sendo que o polímata árabe, astrônomo, economista, historiador, jurista islâmico, advogado islâmico, erudito islâmico, teólogo islâmico, hafiz, matemático, estrategista militar, nutricionista, filósofo, cientista social e estadista do Norte da África, Ibn Khaldun [Abu Zayd 'Abd al-Rahman ibn Muhammad ibn Khaldun al-Hadrami], por exemplo, não utiliza a palavra Árabe para se referir aos povos "arabizados", mas somente àqueles de ascendência arábica original, mas geralmente não tem sido mais considerada particularmente significativa.

Embora eventualmente pratiquem ou se interessem por outras religiões, como, por exemplo, o espiritismo e o candomblé, os árabes são, essencialmente, formados por muçulmanos, judeus e cristãos. Nesse sentido, a maior parte dos árabes, são seguidores do islã, religião surgida na Península Arábica no século VII e que se vê como uma restauração do monoteísmo original de Abraão que, para eles, estaria corrompido pelo judaísmo e cristianismo. Os árabes cristãos são, também, muito numerosos; nos Estados Unidos da América, por exemplo, cerca de dois terços dos Árabes, particularmente os imigrantes da Síria, da Palestina, do Iraque e Líbano são cristãos. No Brasil, Argentina, Chile, Venezuela e Colômbia a proporção de cristãos entre os imigrantes árabes é ainda maior, mas, nesses países, só recentemente que a população islâmica evoluiu, sem necessariamente serem muçulmanos árabes. De modo geral, todos os imigrantes espalhados pelo mundo, "judeus ou cristãos", são uma consequência longínqua dos efeitos das cruzadas.

Do que se conhece na história, os árabes são mencionados pela 1ª vez em uma inscrição assíria de 853 a.C., onde o Rei assírio, Salmanaser III, menciona um rei Gindibu de matu arbaai (terra árabe) como estando entre as pessoas que ele derrotou na "Batalha de Karkar". Nas tradições islâmica e judia, os árabes são um povo semita que tem sua ascendência em Ismael, um dos filhos do antigo patriarca Abraão. Genealogistas árabes medievais dividiram os árabes em dois grupos: Os "árabes do sul da Arábia, descendentes de Qahtan (identificados com o Joktan bíblico). Supõe-se que os Qahtanitas migraram do Iêmen antes da destruição da barragem de Ma'rib (Sad Ma'rib). Os árabes qahtanitas foram os responsáveis pelas antigas civilizações do Iêmen, incluindo o renomado Sheba bíblico (um descendente de Qahtan). E os "árabes (musta`ribah) do norte da Arábia, descendentes de Adnan, este supostamente descendente de Ismael via Kedar. A língua árabe, como ela é falada hoje na sua forma qurânica clássica, foi o resultado de uma mistura entre a língua árabe original de Qahtan e o árabe setentrional, que assimilara palavras de outras línguas semíticas do Levante.

Durante os séculos VIII e IX, os árabes (especificamente os Omíadas, e mais tarde os Abássidas) construíram um império, cujas fronteiras iam até o sul da França no oeste, China no leste, Ásia menor no norte e Sudão no sul. Este foi um dos maiores impérios terrestres da História. Através da maior parte dessa área, os Árabes espalharam a religião do Islã e a língua árabe (a língua do Qur'an), através da conversão e assimilação, respectivamente. Muitos grupos terminaram por ser conhecidos como "árabes", não pela ascendência, mas sim, pela arabização. Assim, com o tempo, o termo "árabe" acabou tendo um significado mais largo do que o termo étnico original. Muitos Árabes do Sudão, Marrocos, Argélia e outros lugares, por exemplo, tornaram-se árabes através da difusão cultural.

Por outro lado, o nacionalismo árabe declara que os árabes estão unidos por uma história, cultura e língua comuns. Os nacionalistas árabes acreditam que a identidade árabe engloba mais do que características físicas, raça ou religião. Uma ideologia similar, o pan-arabismo, prega a união de todas as "terras árabes" em um Estado único. Nem todos os Árabes concordam com essas definições; os Maronitas libaneses, por exemplo, rejeitam geralmente a etiqueta "árabe" em favor de um nacionalismo maronita mais estreito, transformando o cristianismo que professam em sinal de diferença em relação aos muçulmanos que se consideram árabes, (embora, em outros casos, o cristianismo seja o contrário; valor imutavelmente ligado à identidade árabe, a qual transcende a religião, sem negá-la, como é o valor dos melquitas, cujo Patriarca Greco-Melquita de Antioquia e de todo Oriente, Alexandria e Jerusalém, Gregório III Laham, afirma: "Nós somos a Igreja do Islam".

Fontes consultadas:

  1. www.al.mt.gov.br/…
  2. www.planalto.gov.br/…
  3. www.senado.leg.br/…
  4. pt.wikipedia.org/…

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