Dia Mundial da AIDS ou "World AIDS Day" (1 de dezembro)

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O Dia Mundial da AIDS ou "World AIDS Day" em 1 de dezembro de cada ano, é uma comemoração internacional, que conta com o apoio da OMS [Organização Mundial da Saúde] ou WHO [World Health Organization], e que está mencionada na Resolução A/RES/43/15 de 27 de outubro de 1988 da 38ª sessão da Assembléia Geral da ONU [Organização das Nações Unidas], em prol da Prevenção e controle da AIDS, sendo celebrada com iluminação vermelha em monumentos de vários países do mundo, além de estar oficializada no Estado brasileiro de Minas Gerais como "Dia Estadual de Prevenção da AIDS", e de contar com a Proclamação Presidencial Nº 6.854 de 30 de novembro de 1995, assinada pelo então presidente norte-americano, William Jefferson Clinton, e de várias Proclamações Presidenciais anuais dos presidentes dos Estados Unidos da América.

Ao que parece, essa data comemorativa começou a ser oficialmente concebida em agosto de 1987 na cidade suíça de Genebra, quando os então oficiais de informação pública para o Programa Global sobre AIDS ou "Global Programme on AIDS", atualmente conhecido como UNAIDS [Programa Conjunto das Nações Unidas sobre Hiv/AIDS ou "Joint United Nations Programme On Hiv/AIDS"], James W. Bunn e Thomas Netter, levaram a ideia ao então diretor do programa acima citado, Jonathan Mann, pois segundo consta, um ex-jornalista de transmissão de televisão da cidade norte-americana de San Francisco-CA, tinha recomendado a data de 1 de dezembro, por acreditar que nessa época do ano, a mesma conseguiria maximizar suficientemente a cobertura desse dia celebrativo durante um tempo maior de exposição na mídia ocidental, após as eleições norte-americanas, mas antes das festas de Natal.
Em seus dois primeiros anos, o tema do Dia Mundial da AIDS focou em crianças e jovens. Muito embora a escolha deste tema tenha sido criticada na época por alguns que então ignoravam o fato de que as pessoas de todas as idades poderiam se infectar com o HIV, o tema ajudou a aliviar um pouco o estigma em torno da doença e aumentar o reconhecimento do problema da da AIDS como uma doença da família.
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS tornou-se operacional em 1996, e levou mais planejamento e promoção a esse dia festivo mundial, pois, ao invés de se concentrar em um único dia, em 1997, o UNAIDS criou a Campanha Mundial da AIDS ou "World AIDS Campaign", para se concentrar em comunicação para a prevenção e educação durante todo o ano. Em 2004, a Campanha Mundial da AIDS tornou-se uma organização independente.

Para conhecimento, a AIDS [Síndrome da Imunodeficiência Adquirida ou "Acquired Immunodeficiency Syndrome"] é uma doença do sistema imunológicohumano causada pelo HIV [Vírus da Imunodeficiência Humana ou "Human Immunodeficiency Virus"]. Durante a infecção inicial, uma pessoa pode passar por um breve período doente, com sintomas semelhantes aos da gripe. Normalmente isto é seguido por um período prolongado sem qualquer outro sintoma. À medida que a doença progride, ela interfere mais e mais no sistema imunológico, tornando a pessoa muito mais propensa a ter outros tipos de doenças, como infecções oportunistas e câncer, que geralmente não afetam as pessoas com um sistema imunológico saudável.

O HIV é transmitido principalmente através de relações sexuais sem o uso de preservativo (incluindo sexo anal e, até mesmo, oral), transfusões de sangue contaminado, agulhas hipodérmicas e de mãe para filho, durante a gravidez, o parto ou amamentação. Em condições normais, ou seja, sem a presença de ferimentos, alguns fluidos corporais, como saliva e lágrimas, não transmitem o vírus. A prevenção da contaminação pelo HIV, principalmente através de programas de sexo seguro e de troca de agulhas, é uma estratégia fundamental para controlar a propagação da doença. Apesar de ainda não existir uma cura ou uma vacina, o tratamento antirretroviral pode retardar o desenvolvimento da doença e elevar a expectativa de vida do portador do vírus. Enquanto o tratamento antirretroviral reduz o risco de morte e de complicações da doença, estes medicamentos são caros e podem estar associados a efeitos colaterais.

Pesquisas genéticas indicam que o HIV deve ter surgido no centro-oeste da África durante o início do século XX. A AIDS foi reconhecida pela primeira vez em 1981, pelo CDC [Centro de Controle e Prevenção de Doenças ou "Centers for Disease Control and Prevention"] dos Estados Unidos da América, e a sua causa — o HIV — foi identificada na primeira metade da década. Desde a sua descoberta até 2009, a AIDS causou a morte de aproximadamente 30 milhões de pessoas. Em 2010, cerca de 34 milhões de pessoas eram portadoras do vírus no mundo. A AIDS é considerada uma pandemia, um surto de doença que está presente em uma grande área e que está se espalhando ativamente.

O HIV/AIDS têm tido um grande impacto na sociedade contemporânea, tanto como uma doença quanto como uma fonte de discriminação. A doença também tem impactos econômicos significativos. Há muitos equívocos sobre o HIV/AIDS, tais como a crença de que ela pode ser transmitida pelo contato casual não-sexual. A doença também se tornou sujeita a muitas controvérsias envolvendo as religiões, além de ter atraído a atenção médica e política internacional (e um financiamento de larga escala) desde que foi identificada em princípios da década de 1980.

A AIDS foi observada clinicamente pela primeira vez em 1981 nos Estados Unidos da América. Os casos iniciais ocorreram em um grupo de usuários de drogas injetáveis e de homens homossexuais que estavam com a imunidade comprometida sem motivo aparente. Eles apresentavam sintomas de pneumonia pelo fungo PCP [Pneumocystis carinii], uma infecção oportunista incomum até então, conhecida por ocorrer em pessoas com o sistema imunológico muito debilitado. Pouco depois, um número inesperado de homens gays desenvolveu um tipo de câncer de pele raro chamado sarcoma de Kaposi. Muitos mais casos de PCP e de sarcoma de Kaposi surgiram, quando um alerta foi dado ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país dos ianques, que então, enviou uma força-tarefa para acompanhar o surto.

Nos primeiros dias o CDC não tinha um nome oficial para a doença e referia-se a ela por meio das condições clínicas associadas como, por exemplo, a linfadenopatia, chamando-a de "linfadenopatia generalizada persistente". Eles também usavam "Sarcoma de Kaposi e infecções oportunistas", nome pelo qual uma força-tarefa foi criada em 1981. Em determinado momento, o CDC cunhou a frase "a doença dos 4 H's", uma vez que a síndrome parecia afetar haitianos, homossexuais, hemofílicos e usuários de heroína. Na imprensa geral, o termo GRID [deficiência imunológica relacionada aos gays ou "gay-related immune deficiency"] tinha sido inventado. No entanto, depois de determinar que a AIDS não estava restrita à comunidade homossexual, percebeu-se que o termo GRID estava errado e a sigla SIDA ou AIDS [síndrome da imunodeficiência adquirida ou "acquired immunodeficiency syndrome", foi introduzida numa reunião em julho de 1982. Em setembro daquele mesmo ano, o CDC começou a se referir à doença como AIDS.

Em 1983, dois grupos de pesquisa independentes, um liderados pelo médico e pesquisador norte-americano, Robert Gallo, e o outro, liderado pelo virologista e médico francês, Luc Montagnier, declararam que um novo retrovírus poderia ter infectado os pacientes com AIDS e publicaram suas descobertas na mesma edição da revista Science. Gallo afirmou que o vírus que seu grupo de pesquisa havia isolado de um paciente com AIDS tinha uma forma muito semelhante a de outros vírus T-linfotrópicos, que sua equipe tinha sido a primeira a isolar. O grupo de Gallo chamou o vírus recém isolado de HTLV-III. Ao mesmo tempo, o grupo de Montagnier isolou um vírus a partir de um paciente que apresentava inchaço dos nódulos linfáticos do pescoço e fraqueza física, dois sintomas característicos da AIDS. Contradizendo o relatório do grupo de Gallo, Montagnier e seus colegas mostraram que as proteínas do núcleo do vírus eram imunologicamente diferentes das do HTLV-I. O grupo de Montagnier chamou o vírus que isolaram de LAV [vírus associado à linfadenopatia ou "lymphadenopathy-associated virus"]. Quando, em 1986, se descobriu que estes dois vírus eram o mesmo, LAV e HTLV-III, ambos foram renomeados para HIV, sigla em inglês de vírus da imunodeficiência humana.

Acredita-se que os vírus HIV-1 e HIV-2 tenham se originado em primatas no centro-oeste africano e foram transferidos para os seres humanos no início do século XX. O HIV-1 parece ter se originado no sul de Camarões através da evolução do SIV (cpz), o SIV [vírus da imunodeficiência símia ou "simian immunodeficiency virus"], que infecta os chimpanzés selvagens (o HIV-1 descende do SIVcpz endêmico nas subespécies de chimpanzés Pan troglodytes troglodytes). O parente mais próximo do HIV-2 é o SIV (smm), um vírus do Cercocebus atys atys, um macaco do Velho Mundo que vive no litoral da África Ocidental (do sul do Senegal ao oeste da Costa do Marfim). Os macacos do Novo Mundo, como o macaco-da-noite, são resistentes à infecção pelo HIV-1, possivelmente devido a uma fusão genômica de dois genes com resistência viral. Acredita-se que o HIV-1 tenha ultrapassado a barreira das espécies pelo menos em três ocasiões diferentes, dando origem a três grupos de vírus (M, N e O).

Há evidência de que humanos que participavam de atividades com animais selvagens, como caçadores ou vendedores de animais silvestres, se infectaram com o SIV. No entanto, o SIV é um vírus fraco que, normalmente, é suprimido pelo sistema imunológico humano dentro de poucas semanas após a infecção. Acredita-se que várias transmissões de pessoa para pessoa desse vírus em rápida sucessão são necessárias para dar-lhe tempo suficiente para se transformar no HIV. Além disso, devido a sua taxa de transmissão pessoa-a-pessoa relativamente baixa, o SIV só pode se espalhar por toda a população na presença de um ou mais canais de transmissão de alto risco, que eram ausentes na África antes do século XX.

Os canais de transmissão de alto risco específicos, que permitiram que o vírus se adaptasse aos seres humanos e se espalhasse por toda a sociedade, dependem do calendário proposto para a travessia de animais para humanos. Estudos genéticos do vírus sugerem que o ancestral comum mais recente do grupo M do HIV-1 remonta ao ano de 1910. Os defensores dessa data ligam a epidemia do HIV ao surgimento do colonialismo e do crescimento das grandes cidades africanas coloniais, o que levou a diversas mudanças sociais, como um maior grau de promiscuidade sexual, disseminação da prostituição e alta frequência de casos de doenças genitais (como a sífilis) nas cidades coloniais nascentes. Embora as taxas de transmissão do HIV durante a relação sexual vaginal sejam baixas em circunstâncias normais, elas são muitas vezes aumentadas se um dos parceiros sofre de uma doença sexualmente transmissível que cause úlceras genitais. No início do anos 1900, as cidades coloniais eram notáveis por sua alta prevalência de prostituição e de casos de úlceras genitais. Em 1928, por exemplo, acredita-se que em torno de 45% das mulheres residentes no leste de Kinshasa, no Congo, eram prostitutas, e, em 1933, cerca de 15% de todos os moradores da mesma cidade tinham sífilis.
Há uma visão alternativa, a partir da qual se defende que práticas médicas inseguras na África após a Segunda Guerra Mundial, como a reutilização de seringas não esterilizadas durante programas de vacinação em massa, uso de antibióticos e de campanhas de tratamento anti-malária, foram os vetores iniciais que permitiram que o vírus se espalhasse e se adaptasse aos seres humanos.

O caso mais antigo e bem documentado de HIV em humanos de qe se tem conhecimento, remonta a 1959, na República Democrática do Congo. O vírus pode ter estado presente nos Estados Unidos da América desde pelo menos 1966, mas a grande maioria das infecções que ocorreram fora da África subsaariana (incluindo nos Estados Unidos da América) podem ser rastreadas até um único indivíduo desconhecido que se infectou com o HIV no Haiti e, em seguida, trouxe a infecção para o país dos ianques por volta de 1969. A epidemia se espalhou rapidamente entre os grupos de alto risco (inicialmente em homens que faziam sexo frequente com outros homens). Em 1978, a prevalência de HIV-1 entre homossexuais masculinos residentes de Nova Iorque e São Franciscoera estimada em 5%, sugerindo que vários milhares de pessoas no país estavam infectadas.

Fontes consultadas em 1 de dezembro de 2016 às 11:45:58:

  1. www.un.org/…
  2. www.presidency.ucsb.edu/…
  3. en.wikipedia.org/…

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