Dia Internacional do Direito à Verdade, sobre Graves Violações aos Direitos Humanos e da Dignidade das Vítimas (24 de março)

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta: http://datascomemorativas.org/4029

Próxima Celebração "Dia Internacional do Direito à Verdade, sobre Graves Violações aos Direitos Humanos e da Dignidade das Vítimas": Sábado, 24 de Março de 2018, : daqui 271 dias, 01:13:25-03:00.
Tempo médio de leitura para essa data comemorativa: ± 6 minutos.

O Dia Internacional do Direito à Verdade, sobre Graves Violações aos Direitos Humanos e da Dignidade das Vítimas em 24 de março de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro do Pernambuco, que foi criada pela Lei Nº 14.790 de 8 de outubro de 2012, numa data comemorativa dedicada à reflexão coletiva sobre a importância do conhecimento circunstanciado das situações em que tiverem ocorrido violações graves aos direitos humanos, seja para a reafirmação da dignidade humana das vítimas, seja para a superação dos estigmas sociais criados por tais violações, em apoio ao "Dia Internacional para o direito à verdade em relação às graves violações dos direitos humanos e à dignidade das vítimas" ou "International Day for the Right to the Truth Concerning Gross Human Rights Violations and for the Dignity of Victims", que encontra-se oficializada no Estado brasileiro do Paraná como "Dia Internacional do Direito à Verdade sobre Violações Graves de Direitos Humanos e para a Dignidade das Vítimas", além de contar com o "Dia Nacional de Monsenhor Óscar Arnulfo Romero Galdámez" ou "Día Nacional de Monseñor Óscar Arnulfo Romero Galdámez" em El Salvador.

A data comemorativa internacional da ONU tem por fim, marcar a data do aniversário da morte do arcebispo salvadorenho do catolicismo, Óscar Arnulfo Romero Galdámez, conhecido como Dom Romero, que foi assassinado em 24 de março de 1980 por um por um atirador de elite do exército salvadorenho, que havia sido treinado na Escola das Américas, enquanto vítima de um esquadrão da morte no momento em que celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência no Miramonte de San Salvador, cuja morte terminou por recrudescer a guerrilha salvadorenha e provocou uma onda de protestos em todo o mundo e pressões internacionais por reformas em El Salvador, além de ser essa a data do Golpe militar de 24 de março de 1976, que então levou a "Junta Militar" ao poder na Argentina, cujos militares envolvidos são acusados de inúmeras torturas e violações de direitos humanos contra os argentinos.

Para conhecimento, Romero nasceu no seio de uma família de origens humildes em 15 de agosto de 1917, no povoado salvadorenho de Ciudad Barrios no Departamento de San Miguel, um lugar onde se produzia café, a cerca de 156 quilômetros de San Salvador. Em 1931, ingressou no Seminário Menor de San Miguel, onde ficou conhecido como 'O menino da flauta', por sua habilidade em utilizar uma flauta de bambu que herdara de seu pai. Em 1937, ingressou no Seminário Maior San José de la Montaña, em San Salvador, e 7 meses depois, viajou para estudar teologia na cidade e capital italiana de Roma, onde presenciou as calamidades da 2ª Guerra Mundial. Em 4 de abril de 1942, foi ordenado padre. Em 21 de junho de 1970 foi nomeado bispo auxiliar de San Salvador, e em 15 de outubro de 1974, bispo de Santiago de María no Departamento de Usulután. Em 3 de fevereiro de 1977, foi nomeado arcebispo de San Salvador, escolhido como arcebispo por seu aparente conservadorismo.

Em março de 1977, ocorreu o assassinato de seu amigo, o padre salvadorenho, Rutilio Grande, juntamente com dois camponeses. Esse incidente, transformou Romero, que a partir de então, passou a denunciar as injustiças sociais por meio da rádio católica "Ysax" e por intermédio do semanário "Orientación". Por isso, chegou a ser conhecido como "A voz dos sem voz". Por ter aderido aos ideais da não violência, chegou a ser comparado com o líder indiano, Mahatma Gandhi, e com o ativista e líder norte-americano do ativismo negro, Martin Luther King. Em suas homilias dominicais, Óscar Romero denunciava as numerosas violações de direitos humanos em El Salvador, e manifestou publicamente, sua solidariedade com as vítimas da violência política, no contexto da Guerra Civil de El Salvador. Dentro da Igreja Católica, defendia a "opção preferencial pelos pobres".

Segundo o biógrafo de Dom Romero e Postulador de sua Causa, Jesus Delgado, Oscar Romero concordava com a visão católica e e não com a visão marxista da "Teologia da Libertação". "Certa vez, um jornalista perguntou-lhe: 'Concorda com a Teologia da Libertação?' E Romero respondeu: 'Sim, claro'. 'Contudo, há duas teologias da libertação': 'Uma vê a libertação como libertação material'; 'a outra é de Paulo VI'. 'Eu estou com Paulo VI'." Delgado disse que Romero não leu os livros sobre "Teologia da Libertação" que recebeu, e que deu a prioridade mais baixa à "Teologia da Libertação" entre os tópicos que estudou. Romero pregou que "A mais profunda revolução social é a reforma séria, sobrenatural, interior de um Cristão". Enfatizou também: "A libertação de Cristo e da Sua Igreja não é reduzida à dimensão de um puro projeto temporal". "Não reduz os seus objetivos a uma perspectiva antropocêntrica": "a um bem-estar material ou apenas a iniciativas de uma ordem política ou social, económica ou cultural". "Muito menos pode ser uma libertação que apoia ou é apoiada pela violência".

Romero manifestou várias vezes a sua desaprovação pela "Teologia da Libertação" de inspiração marxista. Num sermão pregado em 11 de Novembro de 1979, disse: "O outro dia, perguntaram a uma das pessoas que proclamam a libertação num sentido político": 'Para si, qual é o significado da Igreja?' "O ativista “respondeu com estas palavras escandalosas": 'Há duas igrejas, a igreja dos ricos e a igreja dos pobres'. 'Acreditámos na igreja dos pobres, mas não na igreja dos ricos'. Romero declarou: "Claramente "estas palavras são uma forma de demagogia, e nunca hei-de admitir uma divisão da Igreja". Acrescentou: "Só existe uma Igreja, a Igreja que Cristo pregava, a Igreja a que devemos dar inteiramente os nossos corações, e "Só existe uma Igreja, a Igreja que adora o Deus vivo, e que sabe dar o valor devido aos bens da terra". Na homilia de 11 de novembro de 1977, Dom Romero afirmou: "A missão da Igreja é identificar-se com os pobres". "Assim a Igreja encontra sua salvação". Na véspera de sua morte, fez um pronunciamento contundente a respeito da repressão em seu país: "Em nome de Deus e desse povo sofredor, cujos lamentos sobem ao céu todos os dias, peço-lhes, suplico-lhes, ordeno-lhes: cessem a repressão".

. Em 1992, uma investigação conduzida pela ONU concluiu que o autor intelectual do assassinato de Dom Romero foi o político de direita e ex-oficial do exército salvadorenho, Roberto D’Aubuisson. Em 1997, Romero foi declarado "Servo de Deus" pelo papa João Paulo II. Em fevereiro de 2015, o papa Francisco aprovou o decreto de beatificação do arcebispo salvadorenho, reconhecendo-o como mártir. A solenidade de beatificação foi realizada no dia 23 de maio de 2015 na capital salvadorenha, tendo sido presidida pelo prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas estiveram presentes na cerimônia. Durante a cerimônia, Amato afirmou que a memória de Romero ainda estava viva, dando conforto aos pobres e marginalizados, e que Romero foi a luz do mundo e o sal da terra, pois seus perseguidores desapareceram e foram esquecidos, mas Romero continuava a lançar luz sobre os pobres e marginalizados.

Na ocasião, o Papa Francisco, enviou uma mensagem pessoal que foi lida no início da cerimônia, na qual afirmou que: "Em tempos de coexistência difícil, Romero soube como guiar, defender e proteger o seu rebanho". "[...] Damos graças a Deus porque concedeu ao bispo mártir a capacidade de ver e ouvir o sofrimento de seu povo. [...]" "Quando se entende bem e se assume até as últimas consequências, a fé em Jesus Cristo, cria comunidades artífices de paz e solidariedade". Ao legado deixado por Romero, somam-se inúmeras manifestações culturais e artísticas do povo salvadorenho e pessoas de todo o mundo. Destaca-se a maior pintura do mundo feita a um santo, intitulada "San Romero de América", feita em 2005 pelo artista e arquiteto salvadorenho, Josué Villalta, como fruto da devoção e agradecimento por seu envolvimento nas lutas populares.

Fontes consultadas:

  1. www.legislacao.pr.gov.br/…
  2. legis.alepe.pe.gov.br/…
  3. www.asamblea.gob.sv/…
  4. pt.wikipedia.org/…

Para dúvidas, críticas, sugestões, reclamações, convites e outros assuntos, por favor, Entre em contato

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta: http://datascomemorativas.org/4029

RSS/XML