Dia Estadual do Manezinho (7 de janeiro)

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Próxima Celebração "Dia Estadual do Manezinho": Domingo, 7 de Janeiro de 2018, : daqui 138 dias, 20:37:24-03:00.
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O Dia Estadual do Manezinho em 7 de janeiro de cada ano, ´é uma comemoração do Estado brasileiro de Santa Catarina, que foi estabelecida pela Lei Nº 15.809 de 25 de abril de 2012, e que deverá ser orientada para a realização de eventos a ela alusivos, como ícone marcante na história catarinense, sendo que o Estado de Santa Catarina já contava com o "Dia da Cultura Açoriana" em 6 de janeiro.

Em que pese minhas muitas pesquisas e inúmeros esforços, ainda não me foi possível obter maiores explicações e porquês para a criação dessa data comemorativa de catarinense em 7 de janeiro, mesmo depois da leitura da íntegra com a respectiva justificação do Projeto de Lei Nº 18.0 de 14 de fevereiro de 2012, depreendendo-se apenas da referida leitura, que "Manezinho" está relacionada com um termo popularmente utilizado para designar os nativos da cidade brasileira de Florianópolis-SC, mas que abrange também os nascidos em municípios vizinhos à capital catarinense, como São José-SC, Biguaçu-SC e Palhoça-SC, numa referência à colonização da região, que foi feita principalmente por habitantes oriundos das Ilhas dos Açores em Portugal.

A figura do manezinho foi moldada na região praieira da Ilha de Santa Catarina, mas originalmente eram chamados assim devido à sua ascendência histórica, de meados do século XVIII, de populações das ilhas dos Açores pertencentes a Portugal. Os habitantes dessas ilhas também são chamados de "Manezinhos da Ilha". A maior parte dos decendentes é de cultura pesqueira e da extinta caça às baleias. Esta prática, que hoje é ilegal, foi muito praticada em Florianópolis antes da proibição.
A praia do Matadeiro tem este nome por ter sido no passado um local de recepção desses caçadores com os mamíferos do mar que hoje, graças à proteção ambiental, estão de volta ao litoral catarinense, sendo muito admirado pelos moradores e principalmente pelos turistas que visitam o lugar.
A proibida "farra do boi" também está associada aos costumes dos "Manezinhos", pois faz parte dos costumes dos povos do Mar Mediterrâneo, inclusive os da Região Autônoma dos Açores, arquipélago situado no Atlântico e pertencente a Portugal. Mas a semelhança de Florianópolis com as ilhas dos Açores, por todos estes motivos citados, é o que traz aos Manezinhos o orgulho de poder reproduzir e perpetuar a cultura açoriana, presente também na culinária, costumes e pensamentos.

Já o "Dia da Cultura Açoriana" tem por fim, marcar a data do registro da chegada dos primeiros 461 açorianos na então Ilha de Santa Catarina, que haviam partido do porto de Angra do Heroísmo em 21 ou 31 de outubro de 1747, e que aportaram no território do atual Estado de Santa Catarina quase 3 meses depois, em 6 de janeiro de 1748, num grupo de 85 casais e seus familiares, vindos então das ilhas Terceira, Faial, São Jorge e Pico, e depois de haverem embarcado nas Galeras "Jesus" e "Maria José", sob o comando do capitão português, Luis Lopes Coelho. Mas essa data não foi exatamente o fim da viagem para aquela gente, pois ainda permaneceram um tempo embarcados, em quarentena, no porto de Nossa Senhora do Desterro, e apenas desembarcaram em terra firme no dia 22 de fevereiro daquele ano, para serem logo em seguida provisoriamente assentados na Rua dos Ilhéus no centro da cidade, até serem enviados pouco depois, para Santo Antônio de Lisboa, Lagoa da Conceição e no Ribeirão da Ilha.

Consta que, entre 1748 e 1756, chegaram à então ilha, de Nossa Senhora do Desterro, cerca de 6 mil açorianos, provenientes da Ilha da Madeira e do Arquipélago dos Açores. Eram casais que tinham por objetivo principal, construir uma nova vida na nova Terra, que esperavam encontrar condições climáticas iguais as de suas ilhas portuguesas, e que pretendiam instalar moinhos de trigo no novo mundo; mas logo acabaram percebendo que o solo não era propício para a plantação, e o vento não era constante para girar as rodas desses engenhos, o que fez desse projeto, um sonho fracassado. Porém, esses açorianos pioneiros conheceram os índios e a sua cultura, incluindo a plantação de mandioca e o cultivo da pesca, construíram aqui suas casas, e constituíram família. Hoje, os descendentes desses açorianos, chamados manézinhos da ilha, mantém a cultura que herdaram de seus antepassados. Suas casas já não são mais como as de antigamente, mas as antigas casas que restaram, foram tombadas e viraram patrimônio histórico e cultural, e ainda se vê hoje em dia, a pesca e os costumes do passado, como por exemplo, o consumo da farinha de mandioca em muitos pratos típicos.

Para conhecimento, a cultura açoriana é rica em tradições, basicamente impostas pela religião, que são compostas por ficção unida com a realidade. Os açorianos e seus descendentes sempre foram muito criativos no seu saber popular, tinham a habilidade de improvisar versos, de onde surgiam verdadeiros poemas e mensagens de amor ou crítica, que até podemos chamar de "trovadorismo", como; por exemplo, o "pão-por-Deus", as "quadras populares" as trovas, os causos e os ditados populares, que são apenas algumas das formas de expressão da literatura açoriana escrita e falada.

Desde sua chegada à nova Terra, os imigrantes açorianos incutiram na cultura brasileira, mais particularmente nas tradições da atual cidade brasileira de Florianópolis-SC, sua cultura rica e variada, que, através dos séculos, continua dando bons frutos, e influenciando fortemente o cenário cultural da região. Na grande Florianópolis, por exemplo, a antiga tradição do artesanato açoriano é representada nos trançados de rede, rendas de bilro e tramoias, tapeçarias de tear e na confecção de esteiras, balaios e gaiolas. A gastronomia da capital catarinense também foi muito influenciada pelos Açores: pratos feitos à base de peixe, moluscos e crustáceos, enriquecem a culinária da ilha e do continente. Nas danças e folguedos, os exemplos mais vivos dessa tradição estão presentes na "dança de pau de fita" e no "folguedo do boi mamão".

Na arquitetura também se vê traços desse povo, no casario colonial e nas igrejas seculares que remete à religiosidade que sempre acompanhou o povo açoriano, por isso as festas religiosas continuam sendo um dos valores mais expressivos de sua cultura. Dentre estas festas, vale ressaltar a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a procissão do Senhor Jesus dos Passos, a festa do Divino Espírito Santo e o Terno de Reis. A literatura se enriqueceu com as quadrinhas, o pão-por-Deus, os provérbios, as cantigas e lendas. Não se pode esquecer também, do modo de falar do “manezinho”, que se caracteriza por um som cantado e por uma alta velocidade de flexão de voz.

Justamente por conta da cultura de pesca que veio junto com os açorianos, e que se tornou uma boa fonte de renda para os moradores do lugar, mesmo que atualmente, a pesca e a maricultura tenham perdido a força, já que não é possível sobreviver apenas do dinheiro da venda dos moluscos e peixes, hoje, cerca de 90% da produção nacional de moluscos do Brasil se concentra no estado de Santa Catarina, e as principais cidades brasileiras produtoras dessa cultura são Palhoça-SC, Florianópolis-SC, Governador Celso Ramos-SC, Bombinhas-SC, Penha-SC e São Francisco do Sul-SC.
Muito embora a nativa produção de pesca e a maricultura seja atualmente destruída por vários mercados e restaurantes, a imagem dos pescadores e suas redes de pesca artesanais, assim como das fazendas de ostras tornaram-se um cartão postal da cidade; e no ribeirão da ilha, é onde se encontra a maior concentração de cultivo de ostras. Portanto quem vier a Florianópolis ou mesmo na freguesia do ribeirão, aonde há vários restaurantes especializados em frutos do mar, não pode deixar de experimentar essas iguarias tradicionais do lugar, todas elas, impregnadas da cultura açoriana.

Fontes consultadas:

  1. 200.192.66.20/…
  2. server03.pge.sc.gov.br/…
  3. www.alesc.sc.gov.br/…
  4. culturaacoriana.blogspot.com.br/…
  5. pt.wikipedia.org/…
  6. nea.ufsc.br/…

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