Dia Estadual de Mobilização em Defesa da Reabilitação do Padre Cícero Romão Batista (20 de julho)

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Próxima Celebração "Dia Estadual de Mobilização em Defesa da Reabilitação do Padre Cícero Romão Batista": Sexta-Feira, 20 de Julho de 2018, : daqui 297 dias, 10:03:08-03:00.
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O Dia Estadual de Mobilização em Defesa da Reabilitação do Padre Cícero Romão Batista em 20 de julho de cada ano, é uma comemoração do Estado brasileiro do Ceará, que foi estabelecida pela Lei Nº 13.498 de 6 de julho de 2004.

Essa data comemorativa de cearenses tem por fim, marcar a data do aniversário da morte do sacerdote e político brasileiro, Cícero Romão Batista [Padre Cícero, Padre Cícero ou Padim Ciço], que faleceu em 20 de julho de 1934, , e que é bastante venerado no nordeste do Brasil, tendo sido inclusive canonizado em 1973 como Santo pela Igreja Católica Apostólica Brasileira (que é diferente da Igreja Católica Apostólica Romana).

Ele chegou a ser suspenso das ordens sacerdotais e quase excomungado pela Igreja Católica Apostólica Romana, naquele que é considerado por muitos, como "o tiro de misericórdia" na fé do povo que o tem como santo.
O quase vem do fato que a tal excomunhão não teria sido oficializada, segundo estudos do bispo brasileiro, Dom Fernando Panico, porque a mesma jamais teria chegado ao conhecimento do sacerdote.
A suspensção e posterior quase excomunhão se deu depois de ele haver protagonizado o fenômeno conhecido como "Milagre de Juazeiro", o que fez com que Padre Cícero se convertesse numa vítima da Igreja que ele tanto serviu com desvelo e dedicação.

Esse 1º Milagre teria acontecido durante uma missa celebrada pelo padre Cícero em 1889, quando a hóstia ministrada pelo sacerdote à religiosa brasileira, Maria de Araújo, teria se transformado em sangue na boca da comungante, fazendo com que rapidamente se espalhasse a notícia de que acontecera um milagre em Juazeiro do Norte.
Segundo se conta, esse inexplicável fenômeno teria se repetido por diversas vezes, durante cerca de 2 anos.
Depois do ocorrido, a pedido de padre Cícero, a diocese formou uma comissão de padres e profissionais da área da saúde, para investigar o suposto milagre.
A referida comissão tinha como presidente o padre brasileiro, Clycério da Costa, e como secretário o também padre brasileiro, Francisco Ferreira Antero; contava ainda, com a participação dos médicos brasileiros, Marcos Rodrigues Madeira e Ildefonso Correia Lima, além do farmacêutico brasileiro, Joaquim Secundo Chaves.
Em 13 de outubro de 1891, essa comissão encerrou as pesquisas e chegou à conclusão de que não havia explicação natural para os fatos ocorridos, e o fenômeno da óstia sagrada que virava sangue na boca dos comungantes ao ser administrada por Padre Cícero, ganhou então o status de milagre.
Mas o bispo brasileiro, Dom Joaquim José Vieira, insatisfeito com o parecer da 1ª comissão, nomeou uma 2ª comissão para investigar o caso, tendo como presidente o padre brasileiro, Alexandrino de Alencar, e como secretário o também padre brasileiro, Manoel Cândido.
E para surpresa geral e desapontamento de todos os fervorosos fiéis, a 2ª comissão concluiu que não houvera milagre, mas sim um embuste. Então Dom Joaquim se posicionou favorável ao 2º parecer e, com base nele, suspendeu as ordens sacerdotais de padre Cícero e determinou que Maria de Araújo, que viria a morrer em 1914, fosse enclausurada.
Em 1898, padre Cícero foi a cidade e capital italiana de Roma, onde se reuniu com o Papa Leão XIII e com membros da Congregação do Santo Ofício, conseguindo então sua absolvição. Mas ao retornar a Juazeiro, a decisão do Vaticano foi revista e padre Cícero foi então excomungado, muito embora, de acordo com estudos realizados décadas depois pelo bispo brasileiro, Dom Fernando Panico, essa excomunhão jamais tenha sido aplicada de fato.
Atualmente, Dom Fernando conduz o processo de reabilitação de padre Cícero junto ao Vaticano.
Para conhecimento, em seu tempo, Padre Cícero alcançou grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Estado do Ceará e do Nordeste do Brasil.
Proprietário de terras, de gado e de diversos imóveis, Cícero fazia parte da sociedade e política conservadora do sertão do Cariri. E sempre teve como seu braço direito, o médico e político brasileiro, Floro Bartolomeu da Costa, fazendo parte do sistema político cearense que durante mais de 2 décadas, ficou sob o controle da família Accioli.
Um exemplo disso é o encontro de 4 de outubro de 1911, que ficou conhecido como "Pacto dos Coronéis", e que foi protagonizado em Juazeiro do Norte pelo Padre Cícero e outros 16 líderes políticos da região, que então se reuniram na cidade, e firmaram um acordo de cooperação mútua, com o compromisso de apoiar o então governador do Ceará, Antônio Pinto Nogueira Accioli, marcando com esse apoio, um fato apontado como uma importante passagem na história do coronelismo brasileiro.
A história de Padre Cícero com a cidade brasileira de Juazeiro do Norte-CE começou no Natal de 1871, quando ele foi convidado pelo professor brasileiro, Simeão Correia de Macedo, para visitar uma fazenda localizada na povoação de Juazeiro, então pertencente à cidade brasileira do Crato-CE, onde ele terminou por celebrar a tradicional missa do galo.
Foi aí que o padre visitante, então aos 28 anos de idade, estatura baixa, pele branca, cabelos louros, penetrantes olhos azuis e voz modulada, terminou por impressionar os habitantes do lugar. E a recíproca foi verdadeira, porque em 11 de abril de 1872, decorridos apenas alguns meses desse 1º contato com os juazeirenses, o Padre Cícero lá estava de volta, agora com bagagem e família, para fixar residência definitiva no então povoado de Juazeiro do Norte.
Muitos livros afirmam que Padre Cícero resolveu fixar morada em Juazeiro do Norte, por conta de um sonho (ou visão) que tivera ao anoitecer de um dia exaustivo, enquanto ele descansava no quarto contíguo à sala de aulas de uma escolinha onde improvisaram seu alojamento, após ter passado horas a fio a confessar as pessoas do arraial.
Segundo se conta, nesse sonho ou visão, conforme o próprio Padre Cícero relatou mais tarde aos amigos íntimos, ele viu Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembrava a imagem estampada no quadro da "Última Ceia" do pintor e inventor italiano, Leonardo da Vinci.
Na cena desse sonho, de repente, se junta à visão uma multidão de pessoas, carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos.
Então Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez por todas. Naquele momento, Ele apontou para os pobres, e voltando-se inesperadamente ordenou:
- E você, Padre Cícero, tome conta deles! e Cícero seguiu a ordem a risca.
A 1ª atitude de Padre Cícero ao se ver instalado no então povoado formado por um pequeno aglomerado de casas de taipa junto a uma capelinha, foi melhorar o aspecto dessa capelinha, adquirindo com as esmolas dadas pelos fiéis, várias imagens para a singela edificação que havia sido erigida em honra a Nossa Senhora das Dores e padroeira do povoado, pelo primeiro capelão-do lugar, padre Pedro Ribeiro de Carvalho.
Depois disso, Padre Cícero desenvolveu um intenso trabalho pastoral com pregações, conselhos e visitas domiciliares, como nunca se tinha visto na região. Dessa maneira, rapidamente ganhou a simpatia dos habitantes, passando a exercer grande liderança na comunidade.
Além desse trabalho pastoral e agindo com muita austeridade, Padre Cícero cuidou também de moralizar os costumes da população, acabando pessoalmente com os excessos de bebedeira e com a prostituição.
Para auxiliá-lo no trabalho pastoral, padre Cícero resolveu, a exemplo do que fizera o famoso missionário brasileiro do nordeste, Padre Ibiapina, recrutar mulheres solteiras e viúvas para a organização de uma irmandade leiga, formada por beatas, que então passaram a ficar sob sua inteira autoridade.
Restaurada a harmonia, o então povoado de juazeiro do Norte experimentou um tempo de crescimento, atraindo várias gentes da vizinhança, curiosas por conhecer o novo capelão.
Politicamente, Padre Cícero foi filiado ao extinto PRC [Partido Republicano Conservador].
Também foi em 1911, o 1º prefeito de Juazeiro do Norte, depois que o povoado foi elevado a categoria de cidade. Mas em 1913, foi destituído do cargo de Prefeito pelo então governador do Estado do Ceará, Marcos Franco Rabelo, conseguindo voltar ao poder em 1914, quando Franco Rabelo foi deposto no evento que ficou conhecido como "Sedição de Juazeiro".
Nas eleições ocorridas em 1914 e após essa Revolta, padre Cícero foi eleito para vice-governador do Ceará no Governo do militar, engenheiro e político brasileiro, General Benjamin Liberato Barroso.
Já em 1926, foi eleito para deputado federal, mas não chegou a assumir o cargo.
Ao fim dos anos 1920, Padre Cícero começou a perder a sua força política, que praticamente acabou depois da "Revolução de 1930" no Brasil. Mas em sentido inverso, seu prestígio como santo milagreiro aumentou cada vez mais.
Esse prestígio pode ser sentido do gesto do cangaceiro brasileiro, Virgulino Ferreira da Silva [o Lampião], que era devoto de padre Cícero, e que respeitava as suas crenças e conselhos.

Os 2 se encontraram uma única vez em 1926, na cidade de Juazeiro do Norte.
Era um tempo em que a Coluna Prestes, liderada pelo militar e revolucionário brasileiro, Luís Carlos Prestes, percorria o interior do Brasil, desafiando o Governo Federal.
Então para combater a Coluna Prestes, foram criados os chamados Batalhões Patrióticos, comandados por líderes regionais que muitas vezes arregimentavam cangaceiros.
Existem duas versões para o encontro. Na primeira, difundida pelo historiador norte-americano, Billy Jaynes Chandler, o sacerdote teria convocado Lampião e seus 49 homens para se juntarem ao "Batalhão Patriótico de Juazeiro", tendo prometido ao cangaceiro em troca desse apoio, anistia de seus crimes e a patente de Capitão.
Na outra versão, defendida pelo jornalista e escritor brasileiro de biografias, João de Lira Neto, e pelo escritor, produtor cultural e pesquisador brasileiro do cangaço no Brasil, Anildomá Willians de Souza, o convite teria sido feito por Floro Bartolomeu sem que padre Cícero soubesse disso.
Conforme essa segunda versão, Lampião, que era devoto de Padre Cícero, aceitou o convite e partiu para Juazeiro, mas não encontrou Floro, que havia viajado para o Rio de Janeiro por motivos de saúde.
Então Padre Cícero teria ficado perplexo, quando soubera que Lampião estava em Juazeiro ao seu dispor, e ao encontrar Lampião e seu bando de 49 bandidos, Padre Cícero teria aconselhado os cangaceiros a abandonarem o cangaço e teria dado rosários de presente a eles, com a condição de que só usassem os rosários depois de terem abandonado o cangaço.
Ainda de acordo com essa segunda versão, antes de deixar Juazeiro com seu bando, Lampião teria recebido das mãos do funcionário público brasileiro e integrante do batalhão, Pedro de Albuquerque Uchoa, que naquele momento era o único representante federal no lugar, a prometida patente de capitão do "Batalhão Patriótico", além da anistia por seus crimes, muito embora ele e sua gente jamais tenham combatido a "Coluna Prestes".

Fontes consultadas:

  1. www.al.ce.gov.br/…
  2. pt.wikipedia.org/…

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