Dia Estadual da Cultura Cristã (27 de março)

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Próxima Celebração "Dia Estadual da Cultura Cristã": Terça-Feira, 27 de Março de 2018, : daqui 275 dias, 08:04:03-03:00.
Tempo médio de leitura para essa data comemorativa: ± 5 minutos.

O Dia Estadual da Cultura Cristã em 27 de março de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro do Pernambuco, que foi estabelecida pela Lei Nº 14.173 de 27 de setembro de 2010.

Em que pese muitas diligências em pesquisas e inúmeros outros esforços, ainda não me foi possível obter maiores explicações e porquês para a criação dessa data comemorativa em 27 de março no Estado pernambucano, apesar da leitura da íntegra com a respectiva justificação do Projeto de Lei Nº 1.545 de 10 de março de 2010 da Assembleia Legislativa do Pernambuco.

Para conhecimento, é difícil encontrar uma cultura na qual o cristianismo não esteja presente. Todas as culturas são constituídas por elementos subjetivos, visão de mundo, crenças, princípios morais, representações ideológicas, etc.. E por elementos objetivos, as construções materiais, as obras de artes, as leis, a forma de organizar a sociedade... Ao longo da história, se formaram grandes tradições culturais que se costuma denominar como civilizações, por exemplo: grega, chinesa, ocidental... A civilização ocidental, extremamente complexa e plural, apresenta várias manifestações culturais. É possível, por exemplo, distinguir a cultura ocidental medieval da liberal burguesa, ou a cultura popular (produção cultural mais difundida entre a população) da erudita (obras consagradas ao longo da história, geralmente mais sofisticadas e elaboradas que as demais).

Assim, não há apenas uma única cultura cristã, mas sim várias “culturas cristãs”, isto é, culturas nas quais o significado último da realidade foi iluminado pela revelação cristã. Diferentes culturas podem receber esta revelação de modo diverso, gerando diferentes expressões da fé, mas todas têm elementos em comum, que poderão estar mais ou menos amadurecidos em cada contexto histórico e social, como o reconhecimento de um Deus como Pessoa, que ama e se doa ao ser humano, a afirmação da dignidade inviolável da pessoa humana, o valor da solidariedade, etc... Da mesma forma, se pode dizer que existem culturas que não são cristãs e até anticristãs, na medida em que se contrapõem a estes elementos comuns das culturas cristãs.

Existe um vínculo profundo entre a cultura ocidental e o cristianismo, a tal ponto que não é possível separar a história do cristianismo da história da cultura ocidental. A maior parte dos valores professados pela sociedade ocidental são valores cristãos e/ou que adquiriram sua forma atual no contexto do cristianismo. Contudo, mesmo no Ocidente, muitos valores cristãos tiveram que ser amadurecidos ao longo dos séculos, como a tolerância e o respeito ao diferente, por exemplo. Além disso, a cultura ocidental moderna muitas vezes se afastou de sua matriz religiosa, deturpando muitos valores cristãos. Os valores da dignidade e da liberdade da pessoa humana, por exemplo, aparecem deturpados no individualismo e na autonomia sem limites da sociedade atual.

Para a doutrina católica, por exemplo, as culturas são uma manifestação necessária da natureza humana. Segundo a única constituição pastoral e a 4ª das constituições do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes ou "Alegria e Esperança", "A pessoa humana só se realiza plenamente por meio da cultura". É possível sobreviver e ser o que se é apenas por meio de uma interação entre a natureza orgânica e instintiva do homem e o contexto cultural no qual se vive. Mesmo que todos os elementos humanos estejam presentes, não existe realização do humano sem a cultura. Assim, a doutrina católica se afasta daquelas escolas de pensamento que pregam uma ruptura entre natureza humana e cultura, que propõem a satisfação da instintividade – desvinculada de qualquer compromisso ético ou cultural – como única forma de realização humana. A Igreja Católica Apostólica Romana sabe que a pessoa humana é, em si mesma, contraditória, nascida para a graça, mas capaz do pecado. As culturas refletem este aspecto contraditório do ser humano: buscam sempre a verdade, o bem e a beleza, mas podem se desvirtuar e não estar direcionadas para seus ideais últimos. Por isso, o trabalho cultural não é, para o cristão, uma mera condenação, mas sim uma purificação, que permite recuperar o sentido verdadeiro de cada coisa e rejeitar o errado.

Para os cristãos, todos os homens e mulheres do mundo compartilham um conjunto de particularidades e exigências que caracterizam o ser humano. Todos aspiram por felicidade, liberdade, reconhecimento da dignidade pessoal e amor. Mesmo que alguém não tenha consciência destas aspirações universais, em função de uma história pessoal na qual elas não foram apresentadas, irá aderir a elas quando as conhecer, pois correspondem profundamente a sua humanidade. É isto que a tradição cristã chama de “lei natural” e de “natureza humana”. O cristianismo pode ser universal, ser proposto a todas as culturas e valorizar a todas elas na medida em que dialoga com estes valores universais e responde a estas exigências profundas do coração de todos os seres humanos.

Desde seus primórdios, a proposta evangélica nunca foi a de substituir uma cultura não cristã por outra cristã, mas sim, de fazer com que a Boa Nova cristã fecundasse as outras culturas, mostrando o significado de suas tradições e de seu modo de ser, de modo a torná-las mais humanas. Este entrar nas culturas, para crescer dentro delas e com elas, é o que a Igreja Católica chama de inculturação do Evangelho. É diferente de um processo de aculturação, na qual um povo é submetido à cultura de outro, perdendo sua identidade original. O maior exemplo de inculturação do Evangelho aconteceu no Império Romano, quando o cristianismo se inculturou na civilização helênica, criando a cultura ocidental.

Nas Américas, na África e no Extremo Oriente, a ação dos missionários procurou ser um trabalho de inculturação, muitas vezes bem sucedido. Contudo, a dominação colonial europeia levou à destruição de muitas culturas e à aculturação dos povos não europeus, ofuscando e até mesmo destruindo a obra de inculturação e de valorização das outras culturas realizada pelos missionários. Na América do Sul, por exemplo, o caso mais emblemático é o dos Sete Povos das Missões nos séculos XVII e XVIII, onde missionários jesuítas estariam ajudando os índios guaranis a construir uma organização social que preservava os valores da cultura indígena e a autonomia dos índios, abraçava o Evangelho e incorporava os conhecimentos técnicos e científicos da sociedade europeia. Consta que a sociedade guarani de Sete Povos teria sido muito desenvolvida e rica para o seu tempo, até ser destruída pelo poder colonial português e espanhol.

Fontes consultadas:

  1. legis.alepe.pe.gov.br/…
  2. www.alepe.pe.gov.br/…
  3. pt.aleteia.org/…

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