Dia do São Paulo Futebol Clube (16 de dezembro)

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Próxima Celebração "Dia do São Paulo Futebol Clube": Sábado, 16 de Dezembro de 2017, : daqui 116 dias, 20:33:12-03:00.
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O Dia do São Paulo Futebol Clube em 16 de dezembro de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro de São Paulo, que foi criada pela Lei Nº 13.993 de 26 de março de 2010.

Essa data comemorativa de paulistas tem por fim, marcar a data daquele que é tido como o dia da 2ª fundação do São Paulo Futebol Clube, que, graças ao esforço de 20 insistentes tricolores, se deu em 16 de dezembro de 1935 no escritório de Sílvio Freire numa das salas do prédio 9-A da Rua Onze de Agosto [atual Praça da Sé] da cidade brasileira de São Paulo-SP, após reuniões diárias no escritório da família Mecca e num café da galeria Pirapitingui, para os que se apegam ao fato de que esse clube paulitano apresenta ligação direta com o antigo São Paulo da Floresta, que teve atividades entre 25 de janeiro de 1930 e 14 de maio de 1935, e que faturou o Campeonato Paulista de 1931.
A 1ª diretoria pós refundação foi composta por Manoel do Carmo Mecca (presidente), Alcides Borges (primeiro vice), Francisco Pereira Carneiro (segundo vice), Éolo Campos (primeiro secretário), Luís Felipe de Paula Lima (segundo secretário), Manoel de Arruda Nascimento (primeiro tesoureiro), Isidoro Novaes (segundo tesoureiro) e Porfírio da Paz (diretor-geral de esportes).

Para conhecimento, a história do São Paulo Futebol Clube começou a se desenhar em 1900, quando foi fundado o Club Athlético Paulistano. O Paulistano logo se destacou, tornando-se a grande potência do futebol paulista e brasileiro no início do século XX. O Paulistano se recusava a aderir ao então iminente profissionalismo do futebol brasileiro, e alguns dissidentes juntaram-se à Associação Atlética das Palmeiras, que possuía o melhor estádio da época, mas estava com muitas dívidas, para fundar o São Paulo.
Assim, no dia 27 de janeiro de 1930, às 14 horas, foi assinada a ata da 1ª fundação do São Paulo Futebol Clube, no número 28 da Praça da República, nascido da união entre a Associação Atlética das Palmeiras e o Club Athlético Paulistano, ficando como data magna do clube o dia 25 de janeiro de 1930, dia e mês de preferência de seus fundadores por se tratar da data em que foi fundada a cidade de São Paulo.

Para a criação do novo clube, sessenta integrantes do Club Athlético Paulistano decidiram ceder seus jogadores campeões paulistas de 1929, enquanto a Associação Atlética das Palmeiras entraria com seu estádio, a Chácara da Floresta. Conservando as tradições do passado, o uniforme do novo clube estamparia as faixas vermelhas e pretas em homenagem aos dois clubes fundadores. Seu escudo e sua camisa foram desenhados pelo estilista alemão, Walter Ostrich, com a colaboração de um dos presentes à fundação, Firmiano de Morais Pinto Filho. O nome escolhido para endossar o desejo de fundar um clube que representasse a cidade nos âmbitos mais variados não foi outro senão São Paulo Futebol Clube, que ficou inicialmente conhecido como São Paulo da Floresta, devido à localização de seu estádio. A primeira diretoria do São Paulo da Floresta foi formada por: Edgard de Souza Aranha (presidente), Alberto Caldas (primeiro vice), Gastão Tachou (segundo vice), Benedito Montenegro (terceiro vice), Luís de Oliveira Barros (primeiro secretário), José Martins Costa (segundo secretário), João B. da Cunha Bueno (primeiro tesoureiro) e Caio Luís Pereira de Souza (segundo tesoureiro).

Os primeiros anos do clube coincidiram com acontecimentos que marcaram época no futebol brasileiro. Pois foi 1930 o ano da 1ª Copa do Mundo, e apenas a partir dele que uma partida passou a ser disputada em dois tempos de 45 minutos cada. E apenas em 1933 é que o primeiro jogo profissional do país foi disputado, com a equipe do São Paulo sendo uma das protagonistas juntamente com o Santos Futebol Clube.
Sobre esse primeiro jogo do profissionalismo, cabe ressaltar que foi nele que o apelido do Santos, "peixe", foi dito pela primeira vez. Tratou-se de uma provocação, antes do início do jogo, da torcida tricolor com os jogadores do clube praiano, chamando-os de "peixeiros" de maneira pejorativa. A torcida santista retrucou dizendo "Somos peixeiros, e com muita honra!". A partir daí o apelido foi adotado pelo clube santista, e foi criada a mascote, a Baleia.

Desde seu início, o São Paulo demonstrou ser um clube democrático, pois aceitava de modo irrestrito, jogadores de qualquer etnia, classe social ou origem. Também foi o único clube da capital paulista a ter como presidente um ex-jogador: Roberto Gomes Pedrosa. Entre suas primeiras conquistas, o Tricolor Paulista venceu o Campeonato Paulista de 1931, no seu 2º ano de vida, e conseguiu sagrar-se vice em 1930, 1932, 1933 e 1934. Foi também vice-campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1933. Portanto, o recém-fundado Tricolor Paulista, já estava no topo do futebol local, um fato extraordinário, mas nem tanto, se levadas em considerações suas origens vencedoras.

O São Paulo comprou, então, uma nova sede, suntuosa, localizada na Rua Conselheiro Crispiniano (no centro da capital paulista), um pequeno palácio conhecido como "Trocadero", ao custo de 190 contos de réis. Essa dívida era grande para a época, porém o clube, detentor de um campo como o da Floresta e um quadro de jogadores que valia muito, não se deixava abalar por isso. Mesmo assim, alguns dirigentes do clube, que andavam descontentes com os rumos do futebol no país, resolveram fundir-se com o Clube de Regatas Tietê e acabar com o departamento de futebol. Outro grupo, favorável à continuidade do clube e liderado por Paulo Sampaio foi à Justiça e, no dia 23 de abril de 1935, impugnou o direito de a diretoria fundir o clube com o Tietê sem que a opinião dos sócios fosse ouvida.
Os próprios jogadores foram contra tudo o que estava ocorrendo. Tanto é que se juntaram para formar o efêmero Independente Esporte Clube. Os atletas remanescentes do São Paulo foram, porém, atraídos por outros clubes, e não demorou muito para que o Independente acabasse extinto.

Os sócios obtiveram ganho de causa mesmo após a defesa da diretoria do clube, que então não teve outra saída, senão convocar uma assembleia geral. Porém o artigo 2º dos estatutos do clube à época dizia que somente os "sócios-fundadores", considerados "proprietários" do clube e que somavam duzentos, poderiam compor a assembleia. Como a maioria deles era ligado à diretoria, a fusão foi aprovada em 14 de maio de 1935. Nesse dia, debaixo de chuva, o departamento de futebol foi oficialmente extinto e desfiliado da APEA [Associação Paulista de Esportes Atléticos (originalmente Associação Paulista de Sports Athleticos)], então responsável pela organização dos Campeonatos Paulistas de Futebol. Com a fusão, a parte administrativa foi fundida ao Tietê, que incorporou todos os patrimônios físicos e, em troca, quitaria os débitos do clube e não poderia usar as cores, uniformes e símbolos do São Paulo, fazendo com que surgisse assim, o Tietê-São Paulo.

Contudo, alguns sócios indignados com a fusão ao Clube de Regatas Tietê decidiram criar o Grêmio Tricolor, uma associação que refundaria o clube em 16 de dezembro de 1935, preservando as glórias e tradições de outrora, além de possibilitar que o São Paulo se convertesse num dos clubes mais vitoriosos do futebol do Brasil, com a maior quantidade de conquistas nos 3 principais torneios de futebol disputados por clubes brasileiros: 6 títulos no Campeonato Brasileiro; 3 títulos na Copa Libertadores da América e 3 títulos no Campeonato Mundial de Clubes, muito embora nos primeiro anos dessa nova vida o clube fosse conhecido pelas outras agremiações e por seus respectivos torcedores como um time de pobretões. Não bastasse isso, a imprensa de um modo geral, além de também os chamarem de pobres, tratava o clube pelos nomes de "Júnior", "Clube nº 2" e "São-Paulinho". No entender de grande parte da população paulistana, a nova agremiação não poderia chegar às glórias da anterior e sequer chegar ao mesmo patamar de Corinthians e Palestra Itália.

E foram mesmo tempos difíceis aqueles. O novo clube bem que pretendia estrear no próprio ano de 1935, mas, por conta da fusão e da desfiliação da APEA, não foi possível. Dessa maneira, a estreia do novo clube foi marcada para 25 de janeiro de 1936, contra a Portuguesa Santista, no estádio Antônio Alonso. No mesmo dia do jogo havia uma comemoração para o aniversário da cidade na Avenida Paulista, e uma portaria baixada pela Secretaria de Educação impedia a realização de manifestações ou eventos que pudessem, de alguma forma, rivalizar com a parada. Faltando pouco tempo para o início do jogo, Porfírio foi até a Paulista a fim de convencer o então secretário municipal da Educação da cidade de São Paulo-SP, o médico Cantídio Campos, a autorizar a partida. Porfírio subiu no palanque e argumentou a favor do time que leva as cores e o nome da cidade. Cantídio aceitou os argumentos e autorizou em seu próprio bloco de receitas a abertura dos portões e posterior realização do jogo. Porém, na hora de ir ao estádio, não havia bondes circulando pela cidade. Foi então que Porfírio, mais uma vez ele, alugou com seu próprio dinheiro carros para levar jogadores e torcedores para a partida.

Nessa época o clube não possuía sócios, fonte de renda e sequer patrimônio. Treinava e jogava onde deixavam. Não havia nem lugar para fazer a concentração, que tinha que ser improvisada com metade do elenco na casa do presidente Frederico Menzen e outra metade nos beliches que havia na torre da igreja da Consolação, paróquia do Monsenhor Bastos, ilustre são-paulino. Os treinos eram por vezes realizados no pátio da própria igreja junto ao local onde os congregadosmarianos jogavam basquete. Quando havia disponibilidade o time treinava no campo da Várzea do Glicério, mas com a condição de desocupar o local assim que os times/donos do campo, chegassem.

Porém, mesmo com toda a força de vontade e fé de seus dirigentes e o forte apelo popular herdado do Paulistano e do Palmeiras, a verdade é que os jogadores do São Paulo, com raras exceções, eram tecnicamente fracos. O time conseguiu apenas um 8º lugar no Paulista de 1936 e um 7º lugar no ano seguinte. Isso seria resolvido com uma nova fusão: em 1938 o Clube Atlético Estudante Paulista, fundado em maio de 1935 por dissidentes do São Paulo, fez uma excursão ao Chile e ao Peru, em que o empresário fugiu com o dinheiro arrecadado, deixando o clube às portas da falência. O São Paulo, sabendo da situação, resolveu propor uma fusão, pois o Estudante era formado por bons jogadores e possuía o estádio Antônio Alonso; já o São Paulo possuía torcida, carisma e as contas em dia. Sobrou a dúvida sobre o nome do clube. Os tricolores alegavam que eram mais antigos e que já possuíam uma tradição, além de levar o nome e as cores do estado. Pois foram esses argumentos que prevaleceram, com a condição que o novo presidente fosse alguém neutro, ligado aos dois clubes, Piragibe Nogueira. Outra decisão foi a de que sócios de ambos os clubes teriam seus números de matrícula zerados para facilitar a fusão. O São Paulo então arrecadou o dinheiro para saldar a dívida, e o acordo foi então fechado. Em 25 de agosto de 1938 o novo time estreou, já contando em seu quadro de atletas com metade do time do Estudante, entre eles Roberto Gomes Pedrosa, futuro presidente do clube. A nova sede ficaria no prédio do número 337 da Rua Dom José de Barros na República.
Assim, começou a nova fase de glórias do São Paulo, pois, após a fusão, e já com um time capacitado, o tricolor chegou ao vice-campeonato do Paulista de 1938, e poderia até ter sido campeão, não fosse o gol de empate do atacante corintiano, feito com a mão por Carlinhos, e validado pelo juiz de forma polêmica, pois o empate dava o título ao Corinthians.

Fontes consultadas:

  1. www.al.sp.gov.br/…
  2. pt.wikipedia.org/…

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