Dia do Jornalismo (7 de abril)

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O Dia do Jornalismo em 7 de abril de cada ano, é uma comemoração do Estado brasileiro do Rio de Janeiro, que foi criada pela Lei Nº 111 de 10 de janeiro de 1977, e que foi ratificada pela Lei Nº 5.645 de 6 de janeiro de 2010, com base no "Dia do Jornalista" no Brasil.

Essa data comemorativa de brasileiros tem por fim, marcar a data da fundação da Associação de Imprensa, mais tarde ABI [Associação Brasileira de Imprensa], que foi constituída em 7 de abril de 1908, a partir da iniciativa do jornalista brasileiro, Gustavo de Lacerda, com alguns de seus companheiros de jornalismo, tendo por base regras estatutárias da Associação Sindical Profissional dos Jornalistas Republicanos Franceses, Associação dos Jornalistas Parisienses, Sindicato da Imprensa Parisiense e Associação Sindical de Imprensa Estrangeira.

O escritor brasileiro,
Edmar Morel, descreve Gustavo de Lacerda em seu livro "A trincheira do jornalismo", como um homem "entregue de corpo e alma ao jornalismo, profissão que exerceu como um sacerdócio, embora explorado torpemente", enquanto repórter credenciado na Sala de Imprensa da Prefeitura da cidade brasileira do Rio de Janeiro-RJ e então, capital Federal do Brasil. Edmar destaca ainda, que "a criação de uma agremiação que lutasse pelos interesses dos jornalistas sempre foi um ideal de Lacerda, que chegou a ser apontado como inculto e visionário". "No entanto, do programa de fundação da ABI, constam reivindicações que hoje são a base da regulamentação da profissão e das faculdades de Comunicação Social" no Brasil.

Consta que a data comemorativa de brasileiros também é uma homenagem ao médico, jornalista e político italiano radicado no Brasil, João Batista Líbero Badaró [Giovanni Battista Libero Badarò], que foi assassinado por inimigos políticos, em 21 de novembro de 1830 na cidadde brasileira de São Paulo-SP, em cuja data os paulistas festejam o "Dia de Líbero Badaró", apenas 4 anos após chegar nas Terras Brasilis, cuja morte teria sido responsável pelo movimento popular que resultou na abdicação do imperador do Brasil, Dom Pedro I, ocorrida em 7 de abril de 1831.

Para conhecimento, Líbero Badaró nasceu na Itália e mudou-se para o Brasil no ano de 1826, juntamente com outros médicos italianos, dentre os quais, Cesare Zama de Faenza, (pai do futuro tribuno italiano, César Zama, e que também teve um fim trágico. Aqui se naturalizou, radicou-se e veio a se tornar um liberal, um liberalista, ou seja, um homem de princípios políticos em busca da liberdade dos cidadãos no Brasil. Em 1828 se radicou na cidade de São Paulo, onde clinicava e dava aulas gratuitas de matemática. Na Itália, ele havia frequentado as universidades de Turim e Pavia, onde se formou em medicina. Ainda na Europa, publicou algumas obras técnicas, versando sobre fisiologia, zoologia e botânica.

Defensor do liberalismo, Líbero Badaró fundou e redigia o jornal "O Observador Constitucional", surgido em 1829, impresso na tipografia de "O Farol Paulistano", a princípio sob a direção do próprio Badarò e de Luís Monteiro d'Ornelas e, depois de meados de 1830, sob a direção exclusiva do primeiro. O jornal liberal tinha feição moderada, como a que Evaristo da Veiga imprimia no Rio de Janeiro à "Aurora Fluminense". Como esse, granjeara em pouco tempo grande divulgação, que lhe garantia a malquerença dos absolutistas.

O jornal de Líbero Badaró omentou os acontecimentos da "Revolução de 1830" na cidade e capital francesa de Paris, notícia chegada ao Rio de Janeiro em 14 de setembro; a "Revolução dos Três Dias" - em que Carlos X fora destronado em julho passado - exortando os brasileiros a seguirem o exemplo dos franceses. Em sua obra, "Armitage" diz: O choque foi elétrico. Muitos indivíduos no Rio, Bahia, Pernambuco e São Paulo iluminaram suas casas por esse motivo. Excitaram-se as esperanças dos liberais e o temor dos corcundas, e estas sensações se espalharam por todo o Império por meio dos periódicos.

Provavelmente por conta disso, em São Paulo, os estudantes do Curso Jurídico tomaram a iniciativa. "Luminárias, bandas de música e mais demonstrações de alegria praticadas pelos habitantes de São Paulo, celebrando o derrubamento do governo tirano e anticonstitucional da França", conforme parecer da Comissão de Constituição da Câmara, (como consta de seus Anais, 1830, tomo II), assumiram para o médico, advogado, desembargador e então Ouvidor Mor do Estado de São Paulo, Cândido Ladislau Japiassú de Figueiredo e Mello, feição de atos criminosos, o que o levou a processar alguns manifestantes, de preferência jovens estudantes. O "O Observador Constitucional" abriu campanha em favor dos acusados e atacou Japiaçu, chamando-o Caligulazinho. A linguagem era viva e enérgica, mas não justificaria o desfecho violento.

Em 20 de novembro de 1830, às 10 horas da noite, quando voltava para sua casa, na rua de São José (mais tarde rua Líbero Badaró), sem perceber que era uma cilada, o jornalista foi interpelado por quatro alemães, a pretexto de lhe entregarem uma correspondência contra o ouvidor Japiaçu, porém recebeu deles, traiçoeiramente, uma carga de bacamarte, caindo mortalmente ferido.
Supõe-se que ao morrer pronunciou uma frase que celebrizou-se como símbolo da defesa da liberdade de imprensa: "Morro defendendo a liberdade", ou ainda: "Morre um liberal, mas não morre a liberdade".

O "O Observador Constitucional" dedicou o seu número de 26 de novembro à morte de seu criador: "Morro defendendo a liberdade", disse ele em seus minutos finais. A repercussão em São Paulo foi imediata. A seu enterro compareceram 5 mil pessoas e mais de 800 tochas foram acesas, na sua tumba foram gravadas suas últimas palavras.

O principal responsável pelo ataque fora o lavrador alemão, Henrique (ou Simão) Stock, que segundo se conta, teria se escondido na casa do Ouvidor Mor a serviço do Imperador do Brasil, Dom Pedro I. O povo, que queria justiça sumária, exigia a prisão de ambos. O alemão Stock foi preso, Japiaçu continuou ameaçado e pediu asilo a um coronel, quando entraram autoridades a concertar providências. A exaltação do povo continuou e o Conselho de Governo da Província mandou para o Rio o Ouvidor Mor, que então fora denunciado, sob escolta. O padre Diogo Antônio Feijó, como membro do Conselho, teve parte ativa nas deliberações e de sua iniciativa foram as principais medidas para a busca de punição para os culpados. O alemão Stock foi condenado pelo assassinato, mas Japiaçu, o Caligulazinho, foi inocentado.

Dom Pedro I perdia prestígio com fatos como esse, que demonstravam então sua postura autoritária, uma vez que a burguesia que o apoiou no processo de independência, ansiava por se livrar do controle de Portugal. Sucederam-se os gabinetes, impopulares, muito embora com homens de valor por vezes; o príncipe, desde a dissolução do Ministério em 4 de dezembro de 1829, quando demitira o marquês de Barbacena, parecia incompatibilizado com o sistema constitucional. O assassinato de Libero Badarò tornou o ambiente mais propício aos liberais mais exaltados.
No ano seguinte, em 1831, com seu poder já fragilizado, Dom Pedro I abdicou da coroa do Império do Brasil, abandonando-a sobre a cama de seu filho e legítimo herdeiro, Dom Pedro II, e retornou para Portugal, na companhia da madrasta do futuro imperador, que assumiu a coroa e se tornou o segundo imperador do Brasil, com apenas 14 anos de idade.

Fontes consultadas em 3 de novembro de 2016 às 09:14:13:

  1. alerjln1.alerj.rj.gov.br/…
  2. www.abi.org.br/…
  3. www.webartigos.com/…
  4. pt.wikipedia.org/…

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