Dia do Industrial do Café (12 de março)

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Próxima Celebração "Dia do Industrial do Café": Segunda-Feira, 12 de Março de 2018, : daqui 259 dias, 01:00:33-03:00.
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O Dia do Industrial do Café em 12 de março de cada ano, é uma comemoração no Brasil, que aparece listada em vários calendários brasileiros de dias festivos, com o apoio da ABIC [Associação Brasileira da Indústria de Café].

Essa data comemorativa de brasileiros tem por fim, marcar a data da fundação da própria Associação Brasileira da Indústria de Café, que foi constituída em 12 de março de 1973, para ser representante das indústrias de torrefação e moagem de café de todo o Brasil, segundo o Conselho Gestor da ABIC, "com o objetivo de agregar as indústrias em torno de uma única bandeira: a da pureza e da qualidade do café, em defesa do consumidor!", a partir de decisão de representantes dos Sindicatos das Indústrias de Café de diversos estados brasileiros, que então viram na criação de uma entidade nacional, a melhor forma de negociar o estabelecimento de políticas de real interesse do setor cafeeiro no Brasil junto ao Governo Federal, tendo em mente iniciar um trabalho que interrompesse a queda vertiginosa do consumo de café, ocorrida nas Terras Brasilis entre as décadas de 1970 e 1980.

Para conhecimento, o industrial do café é um profissional que seleciona os melhores grãos, torra, mói e embala café, cuidando atentamente de cada etapa da industrialização, para que o produto chegue ao consumidor com todas as suas propriedades de aroma e sabor. Por ocasião dessa data festiva, as homenagens são feitas também para os milhares de profissionais e colaboradores das torrefadoras brasileiras, incluindo fornecedores de máquinas e serviços, que, de Norte a Sul do Brasil, formam um time de verdadeiros apaixonados por café, responsáveis pela comercialização de mais de 1.500 marcas e que, em 2006, por exemplo, industrializou nada menos do que 16,33 milhões de sacas de café.

Ainda a título de conhecimento, o café é uma planta originária do continente africano, das regiões altas da Etiópia (Cafa e Enária), onde ocorre espontaneamente como planta de sub-bosque. A região de Cafa pode ter sido a responsável pelo nome café. Segundo uma das "lendas" da descoberta do cafeeiro, no século IX, um pastor de cabras etíope, de nome Kaldi, notou que seu rebanho ficava mais agitado e bem disposto quando comia frutinhas vermelhas de um arbusto típico da região. Comentando o fato com um monge, este decidiu experimentar a frutinha em uma infusão com água quente. O monge então notou que a infusão lhe deixava mais desperto e apto a rezar e ler durante muito tempo, sem que caísse no sono. A bebida, então, teria se difundido entre os religiosos da região, até alcançar o Iêmen nas Arábias, onde a planta foi cultivada pela 1ª vez. A bebida difundiu-se então amplamente pelo mundo árabe, beneficiando-se da proibição imposta às bebidas alcoólicas pela religião islâmica.

Os árabes tentaram manter o privilégio, pois foram os primeiros a cultivar essa planta, àquele tempo considerada "milagrosa", que assumia grande importância social, devido ao seu uso na medicina da época para a cura de diversos males. Porém, da Arábia, o café foi primeiramente levado para o Egito, no século XVI, e logo depois, para a Turquia. Com a expansão turca na Europa, a partir do século XV, os europeus tomaram conhecimento da bebida, que ficou conhecida pelo seu nome árabe, qahwa, que significa vinho. O consumo de café se expandiu então na Europa e os estabelecimentos voltados para o consumo da bebida, os chamados cafés, se tornaram importantes locais de convívio social. Os europeus iniciaram plantações de café em suas colônias tropicais, como a Indonésia, a Indochina, o Caribe e as Guianas, visando a abastecer o mercado consumidor europeu, pois o café já era então consumido por diversas classes sociais, inclusive por intelectuais. Logo depois passou a ser consumido em vários outros países europeus, chegando à França, Alemanha, Suíça, Dinamarca e Holanda.

Seguindo sua marcha de expansão pelo mundo, o café chegou nas Américas e nos Estados Unidos da América, atualmente o maior consumidor e importador mundial de café. Foram os holandeses que disseminaram o café pelo mundo. Inicialmente transformaram suas colônias nas Índias Orientais em grandes plantações de café e, juntamente com franceses e portugueses, transportaram o café para a América. O café foi primeiramente introduzido na América do Sul através do Suriname. De lá, passou para a Guiana Francesa, por iniciativa do governador de Caiena, que conseguiu, de um francês chamado Morgues, um punhado de sementes, tendo-as semeado no pomar de sua residência. Os franceses iniciaram então plantações de café nas Guianas. A saída de sementes do país era proibida, mas o militar luso-brasileiro, Francisco de Melo Palheta, numa visita diplomática àquele país para restabelecer a fronteira fixada pelo Tratado de Utrecht de 1713, ou seja, o Rio Oiapoque, fronteira esta que estaria sendo violada pelos franceses, a pedido do governador do Maranhão e Grão Pará, João da Maia da Gama, que o enviara às Guianas também com essa missão, conseguiu algumas sementes de café, que foram contrabandeadas em seu bolso, ou uma pequena muda de café Arábica, trazida escondida na bagagem desse brasileiro, com a cumplicidade da esposa do governador de Caiena, capital da Guiana Francesa.

Seja como for, o café, trazido da Guiana Francesa para o Brasil, chegou ao norte brasileiro, mais precisamente na cidade brasileira de Belém do Pará-PA, em 1727, e foi se espalhando pelas demais regiões do Brasil. Na capital paraense, a cultura não foi muito difundida. Foi levada nos anos seguintes para o Maranhão, chegando à Bahia em 1770. No ano de 1774, o desembargador brasileiro, João Alberto Castelo Branco, trouxe do Maranhão para o Rio de Janeiro algumas sementes que foram semeadas na chácara do Convento dos Frades Barbadinos. Então espalhou-se pela Serra do Mar, atingindo o Vale do Paraíba, mas só por volta de 1820. De São Paulo, foi para Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná. Em condições favoráveis a cultura se estabeleceu inicialmente no Vale do Rio Paraíba, iniciando em 1825 um novo ciclo econômico no Brasil. Num espaço de tempo relativamente curto, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto base da economia brasileira. Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a 1ª realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.

Daí para frente, devido às condições climáticas brasileiras, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção inicialmente voltada para o mercado doméstico. No final do século XVIII, a produção cafeeira do Haiti, até então o principal exportador mundial do produto, entrou em crise devido à longa guerra de independência que o país manteve contra a França. Aproveitando-se desse quadro, o Brasil aumentou significativamente a sua produção e, embora ainda em pequena escala, passou a exportar o produto com maior regularidade. Os embarques foram realizados pela 1ª vez em1779, com a insignificante quantia de 79 arrobas. Somente em 1806 as exportações atingiram um volume mais significativo, de 80 mil arrobas.

Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. A cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades e dinamização de importantes centros urbanos por todo o interior do Estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e impulsionando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. O café trouxe grandes contingentes de imigrantes, consolidou a expansão da classe média, a diversificação de investimentos e até mesmo intensificou movimentos culturais. A partir de então o café e o povo brasileiro passaram a ser indissociáveis.

A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura europeia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial, dominando partidos políticos, derrubando a monarquia e abolindo a escravidão. Além de ter sido fonte de muitas das nossas riquezas, o café permitiu alguns feitos extraordinários. Durante muito tempo, o café brasileiro mais conhecido em todo o mundo era o tipo Santos. A qualidade do café santista e o fato de ser um dos principais portos exportadores do produto, determinou a criação do "Café Tipo Santos".

Implantado com um mínimo de conhecimento da cultura, em regiões que mais tarde se tornaram inadequadas para seu cultivo, a cafeicultura no centro-sul do Brasil começou a ter problemas em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando prejuízos incalculáveis. Mais tarde, em 1929, a produção de café sofreu outro grande abalo, com a crise mundial decorrente da quebra da bolsa de valores de Nova Iorque. O preço internacional do café despencou, o que fez com que grandes quantidades de café no Brasil fossem queimados e pés de café arrancados, na tentativa de se elevar os preços do produto. Depois de uma longa crise, a cafeicultura nacional se reorganizou e os produtores, industriais e exportadores voltaram a alimentar esperanças de um futuro melhor. A busca pela região ideal para a cultura do café se estendeu por todo o país, se firmando hoje em regiões do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia. O café continua hoje, a ser um dos produtos mais importantes para o Brasil e é, sem dúvida, o mais brasileiro de todos. Hoje o país é o 1º produtor e o 2º consumidor mundial do produto.

Fontes consultadas:

  1. www.coffeebreak.com.br/…
  2. correiodooeste.blogspot.com.br/…
  3. www.abic.com.br/…
  4. pt.wikipedia.org/…
  5. pt.wikibooks.org/…

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