Dia do Cordelista (19 de novembro)

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Próxima Celebração "Dia do Cordelista": Domingo, 19 de Novembro de 2017, : daqui 88 dias, 21:32:31-03:00.
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O Dia do Cordelista em 19 de novembro de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro do Pernambuco, que foi criada pela lei Nº 12.958 de 20 de dezembro de 2005, além de outras comunidades de nordestinos de todo o Brasil

Essa data comemorativa do Estado do Pernambuco tem por fim, marcar a data do aniversário do nascimento do poeta brasileiro de literatura de cordel, Leandro Gomes de Barros ou da Nóbrega), também conhecido como o "Primeiro sem Segundo"], que veio ao mundo em 19 de novembro de 1865, e que é considerado por alguns como o 1º escritor brasileiro de literatura de cordel, ou ainda, o maior poeta popular do Brasil em todos os tempos, enquanto autor de mais de 600 obras [muitas delas clássicas], fazendo com que ele seja campeão absoluto de vendas, com muitos folhetos que ultrapassam a casa dos milhões de exemplares vendidos.

Para conhecimento, Leandro Gomes nasceu na fazenda Melancia na cidade brasileira de Pombal-PB, como sobrinho materno do padre brasileiro e proprietário da fazenda, Vicente Xavier de Farias, que ajudou a criá-lo e educá-lo. Entretanto, sua relação com o tio, não era das melhores, o que fez com que ele fugisse de casa com 11 anos de idade, por conta dos maus-tratos que sofria e das desavenças com o padre, tanto é que ele optou por mudar seu sobrenome de Nóbrega para Barros, conforme depoimento da sua bisneta, Cristina Nóbrega, depois de se sentir prejudicado pelo padre na partilha dos bens da família.

A partir daí, passou a morar com uma família adotiva na localidade brasileira de Teixeira-PB, que viria a se tornar o "berço da Literatura Popular nordestina", e que lhe permitiu conviver com diversos violeiros, poetas e cantadores ilustres daquele tempo, até que, em 1880, quando ele tinha 15 anos de idade, sua família adotiva se mudou para o Pernambuco, fixando-se primeiramente na cidade brasileira de Jaboatão-PE, onde morou até 1906, e onde casou-se com Venustiniana Eulália de Barros antes de 1889, com quem teve quatro filhos: Rachel Aleixo de Barros Lima, Erodildes (Didi), Julieta e Esaú Eloy, depois na cidade brasileira de Vitória de Santo Antão-PE, e, a partir de 1907 na cidade brasileira de Recife-PE, onde viveu de aluguel em vários endereços, imprimindo a maior parte de sua obra poética no próprio prelo, como autor, distribuidor e editor de suas obras, ou em diversas tipografias.

De Leandro só restaram fotos de meio-busto e uma de corpo inteiro, que colocava em seus folhetos para provar a autoria de seus versos; de sua família, o que ficou para a história foram os folhetos assinados com caligrafia caprichada, sobretudo os de Rachel. No entanto, sabe-se que seu filho, Esaú Eloy, seguiu a carreira militar, tendo participado da "Coluna Prestes" e da "Revolução de 1924" no Brasil. Sua atividade poética o obrigava a viajar bastante por aqueles sertões para divulgar e vender seus poemas, e tal fato é comentado por seus contemporâneos, João Martins de Ataíde e Francisco das Chagas Baptista. Vale a pena transcrever o aviso no final de um de seus poemas, "A Cura da Quebradeira", que demonstra suas constantes mudanças nesse tempo e o seu grande tino comercial: "Leandro Gomes de Barros, avisa que está morando em Areias, Recife, e que remeterá pelo correio todos os folhetos de suas produções que lhe sejam pedidos".

Segundo o escritor e jornalista brasileiro, Permínio Ásfora, Leandro teria sido preso em 1918, pouco antes de sua morte, porque o chefe de polícia considerara afronta às autoridades alguns dos versos da obra "O "Punhal e a Palmatória"", trama que tratava de um senhor de engenho assassinado por um homem em quem teria dado uma surra e deixado-o a sangrar os olhos. A estrofe considerada desrespeitosa de O "Punhal e a Palmatória" é: "Nós temos cinco governos - O primeiro o federal - O segundo o do Estado - Terceiro o municipal - O quarto a palmatória - E o quinto o velho punhal"... No entanto, na obra "Antologia da Literatura de Cordel" (Fundação José Augusto, Natal, 1977), o biógrafo de cantadores nordestinos, Sebastião Nunes Batista, dá a gripe espanhola como causa da morte do cordelista, ocorrida em Recife-PE no dia 4 de março de 1918, aos 52 anos de idade, em cuja data os cearenses celebram o "Dia do Poeta Cordelista".

Leandro foi um dos poucos poetas populares a viver unicamente de suas histórias rimadas, que foram centenas, o que permitiu que ele pudesse versejar sobre muitos temas diferentes, sempre com muito senso de humor. Ele começou a publicar seus versos em folhetos a partir de 1889, conforme ele mesmo conta numa das sextilha de "A Mulher Roubada", publicada no Recife em 1907, sendo um dos pioneiros da literatura de cordel. Produzindo de maneira intensa e independente, em 1906, consegue adquirir uma pequena gráfica para imprimir e distribuir seus próprios trabalhos, o que fez com que seus folhetos se espalhassem pelo Nordeste, sendo considerado pelo historiador, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro, Luís da Câmara Cascudo, como o mais lido dos escritores populares do nordeste brasileiro. Compôs obras-primas que foram utilizadas em obras de outros grandes autores brasileiros, como por exemplo "A História do Cavalo que Defecava Dinheiro",, usada pelo dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro, formado em Direito, Ariano Suassuna, em o "Auto da Compadecida".

Na crônica intitulada "Leandro, O Poeta", publicada no Jornal do Brasil em 9 de setembro de 1976, o poeta e cronista brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, o chamou de "Príncipe dos Poetas" e assinalou: "Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro. E diz mais: "Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião". Mas não foi só o grande poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, que reconheceria em Leandro a majestade dos versos. Ainda em vida, já era tratado por seus colegas como "o poeta do povo", "o primeiro sem segundo" (Athayde) e "o verdadeiro Catulo da Paixão cearense daqueles ásperos rincões" (Gustavo Barroso).

SEUS folhetos de cordel Foram de grande Aceitação popular, Como "A Filha do Pescador", "A Força do Amor", ", A Morte de Alonso e a Vingança De Marina", "A Órfã Abandonada", "A Princesa da Pedra Fina", "A Prisão DE Oliveiros", ", A Vida de Canção de Fogo e seu Testamento" ou "Vida e Testamento de Cancão de Fogo" (2 volumes), "Antonio Silvino, O REI DOS cangaceiros", "as Proezas de um Namorado Mofino", "Alonso e Marina", "Baman e Gercina", "Meia Noite no Cabaret", "O Azar na Casa do Funileiro", "O cachorro dos mortos", "O cavalo que defecava dinheiro", "O Imposto de Honra", "O Príncipe e a Fada", "O Soldado Jogador", "Casamento E Divórcio DA Lagartixa", "História de Juvenal e o Dragão", "História do Boi Misterioso", "História da Índia Necy", "Batalha de Oliveiros com Ferrabrás", "Branca de Neve e o Soldado Guerreiro", "A Confissão de Antônio Silvino", "A Vida de Pedro Cem", "Os Sofrimentos de Alzira", "Como Antônio Silvino Fez o Diabo Chocar", "Como Derribei o Marco do Meio Mundo", "História de João da Cruz", "A Mulher Roubada", "Suspiros de um Sertanejo", "O soldado Jogador", "A Donzela Teodora", "Boi do Nordeste", "Lino e Rosa de Alencar", "Paga em o Mal do Bem", e tantos outros. Pioneiro Na produção de literatura de cordel, Leandro escreveu para cantadores, cangaceiros, almocreves, comboieiros, feirantes e vaqueiros. É lido NAS feiras, nas fazendas, NAS horas do 'rancho', no Oitão Pobres das casas, soletrado com amor e admirado com fanatismo. SEUS romances, histórias em versos Românticos, ainda São Decorados Pelos cantadores.

Com sua morte, seu genro e escritor brasileiro, Pedro Batista, obteve os direitos de publicação de sua obra, e continuou a tiragem de uma sua obra a partir da cidade brasileira de guarabira-PB, além de fazer algumas revisões de linguagem. Porém, 3 anos depois, a viúva de Barros, Venustiniana Eulália de Souza, vendeu esses direitos para o editor e poeta brasileiro, João Martins de Ataíde, que passou a publicar os textos sem creditar-lhe a autoria e fazendo alterações nos originais, o que passou a tornar difícil a compilação da obra de Barros, estimada em mais de 600 títulos. Leandro é o patrono da cadeira numero um da ABLC [Academia Brasileira de Literatura de Cordel].

Fontes consultadas:

  1. www.al.ce.gov.br/…
  2. legis.alepe.pe.gov.br/…
  3. cordelparaiba.blogspot.com.br/…
  4. www.casaruibarbosa.gov.br/…
  5. pt.wikipedia.org/…
  6. www.casaruibarbosa.gov.br/…
  7. enciclopedia.itaucultural.org.br/…

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