Dia do Cabeleireiro (3 de novembro)

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O Dia do Cabeleireiro em 3 de novembro de cada ano, é uma comemoração nos Estados brasileiros de São Paulo [Lei Nº 14.820 de 28 de junho de 2012] e Tocantins [Lei Nº 2.220 de 18 de novembro de 2009], em louvor a São Martinho De Lima ou de Porres, que é tido como padroeiro dos cabeleireiros.

Para conhecimento, cabeleireiro ou barbeiro é uma categoria profissional que trabalha com o cabelo humano, realizando diversas alterações ao mesmo como corte ou coloração. Estes profissionais utilizam vários utensílios e ferramentas para a manipulação capilar, onde se salientam: as tesouras, navalhas, pentes, capas e máquinas de corte e acabamento. O nome designa também o estabelecimento comercial onde trabalham as pessoas dedicadas a esta atividade.

Martinho de Porres, ou Martinho de Lima foi um religioso e santo peruano dos Cristãos, que veio ao mundo em 9 de dezembro de 1579, na condição de filho ilegítimo de João de Porras, nobre espanhol pertencente à Ordem de Alcântara e de Ana Velásquez, negra alforriada.
Como a palavra "porra" tem um significado que não é muito conveniente para inspirar a devoção a um santo, a Igreja Católica mudou o nome para "Porres" para permitir sua difusão nos países lusófonos.

Ainda na infância, muito embora em sua certidão de batismo constasse "pai ignorado", foi reconhecido pelo pai, juntamente com a sua irmã, Joana, tendo ambos siso levados para a cidade equatoriana de Guayaquil, onde João de Porras ocupava um cargo na administração local. 4 anos depois, foi o seu pai nomeado governador do Panamá, pelo que enviou o filho à mãe, em Lima (atual Peru), deixando a filha sob os cuidados de outros parentes.

Martinho de Porres tornou-se aprendiz de Mateo, Pastor, que exercia o ofício de cirurgião, dentista e barbeiro. Foi ali que o jovem mestiço aprendeu os rudimentos de medicina, que depois lhe seriam tão úteis no convento, visto que, durante a Idade Média, barbeiro-cirurgião era uma das profissões mais comuns na área médica pois os barbeiros-cirurgiões eram geralmente incumbidos do tratamento de soldados durante ou após batalhas. Nesta época, cirurgias em geral não eram realizadas por médicos, mas por barbeiros, que também faziam pequenas cirurgias nos ferimentos dos camponeses e sangrias.

Aos 15 anos, resolveu dedicar-se à vida religiosa, tentando entrar num convento da Ordem de São Domingos, o que não foi fácil dada a sua condição de pobre e mestiço. Foi no convento de Nossa Senhora do Rosário que Martinho quis entrar na qualidade de "doado", isto é, quase como escravo, aceitando servir, não como frade, mas como irmão cooperador, o lugar mais baixo na hierarquia da Ordem. Comprometeu-se a servir toda a vida, sem nenhum vínculo com a comunidade, e com o único benefício de vestir o hábito religioso.

Após o 1º ano de prova, recebeu o hábito de cooperador. Mas isso não agradou ao orgulhoso pai, de quem levava o sobrenome, pelo que Dom João pediu aos superiores dominicanos que recebessem Martinho, de tão ilustre estirpe pelo lado paterno, ao menos na qualidade de irmão leigo. Ora, isso era contra as constituições da época, que não permitiam receber na Ordem pessoas de cor. O Superior quis que o próprio Martinho decidisse. "Eu estou contente neste estado e é meu desejo imitar o mais possível a Nosso Senhor, que se fez servo por nós". Tal atitude encerrou definitivamente a questão.

Encarregado da enfermaria do convento, auxiliava todos quantos se lhe dirigiam, fossem seus irmãos da comunidade, fosse pessoas da cidade. Além de cuidar da enfermaria, varria todo o convento, cuidava da rouparia, cortava o cabelo dos duzentos frades, e era o sineiro, dispensando ainda de seis a oito horas por dia à oração.

Quando uma epidemia atingiu a atual capital e cidade peruana de Lima, no convento do Rosário, 60 religiosos ficaram enfermos e muitos estavam numa seção fechada do convento. São Martinho teria passado a portas fechadas para cuidar deles, um fenômeno que encontraria residência. Martinho levava doentes para o convento, até que o Superior provincial, alarmado com o contágio, proibiu-o de continuar a fazê-lo, quando sua irmã, que morava no país, ofereceu sua casa para alojar todos aqueles que a residência do religioso não poderia. Um dia ele encontrou na rua um pobre índio, sangrando até a morte por uma punhalada, e levou-o ao seu próprio quarto. O Superior, quando soube tudo isto, o repreendeu por desobediência. O Superior foi extremamente edificado pela sua resposta: "Perdoa meu erro, e por favor, me instrui, porque eu não sabia que o preceito da obediência se sobrepõe ao da caridade". Então o Superior deu-lhe liberdade para posteriormente seguir as suas inspirações no exercício da misericórdia.

Martinho tinha uma horta, na qual ele mesmo cultivava as plantas que utilizava para suas medicinas. Estando doente o Bispo de La Paz, de passagem por Lima, mandou que chamassem Frei Martinho para que o curasse. O simples contato da mão do doado em seu peito, o livrou de grave moléstia que o estava levando ao túmulo. Foi um precioso amigo e colaborador de Santa Rosa de Lima e de Juan Macias, igualmente dominicanos.

Além de todas essas atividades, Martinho saía também do convento para pedir esmolas para os mais necessitados. Martinho, com o corpo gasto pelo excesso de trabalho, jejum contínuo e penitência, faleceu pouco antes de completar 60 anos de idade, no dia 3 de Novembro de 1639, tendo sido beatificado em 1837 pelo Papa Gregório XVI e canonizado pelo Papa João XXIII em 1962. A sua festa litúrgica celebra-se a 3 de Novembro. Além de padroeiro dos barbeiros, é também o santo patrono dos mestiços católicos.

Fontes consultadas em 5 de novembro de 2016 às 17:29:40:

  1. www.al.sp.gov.br/…
  2. www.al.to.gov.br/…
  3. pt.wikipedia.org/…
  4. joaquim-pinto.blogspot.com.br/…

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