Dia do 1º Culto Protestante no Brasil (10 de março)

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Próxima Celebração "Dia do 1º Culto Protestante no Brasil": Sábado, 10 de Março de 2018, : daqui 257 dias, 01:14:24-03:00.
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O Dia do 1º Culto Protestante no Brasil em 10 de março de cada ano, é uma comemoração na IPC [Igreja Presbiteriana do Brasil], que está oficializada como "Dia do Missionário Evangélico" no Estado brasileiro do Pernambuco e como "Dia Estadual da Consciência Evangélica" no Estado brasileiro do Rio de Janeiro.

Essa data comemorativa da Igreja Presbiteriana do Brasil, de pernambucanos de do Estado dos cariocas tem por fim, marcar a data daquele que é tido como o 1º culto protestante em Terras Brasilis e também nas Américas, que foi realizado em 10 de março de 1557, uma quarta-feira, numa pequena colônia fundada por franceses com o nome de "França Antártica" na baía da Guanabara [hoje Rio de Janeiro], sob a idealização do militar e aventureiro francês, Nicolas Durand de Villegaignon, logo após a chegada de quase 300 franceses mais alguns suíços [entre eles, 14 huguenotes] ao "Novo Mundo", quando o pastor suíço, Pierre Richier, que havia sido enviado pelo próprio reformador suíço, João Calvino, conduziu os trabalhos com o Salmo cinco [cantado segundo o estilo genebrino], tendo sido usado como base para o sermão o Salmo 27 em seu versículo 4.

Isso foi possível, porque após o descobrimento do Brasil, Portugal demorou a se interessar pela ocupação da nova terra e pela colonização dos novos domínios. Por conta disso, a colônia atraiu a atenção de outras nações europeias, especialmente da França.

Muito embora Portugal tenha resolvido tomar providências concretas, depois da má sucedida experiência das capitanias hereditárias e das constantes incursões estrangeiras, e tenha enviado em 1549, o 1º governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, que então se instalou na atual cidade brasileira de SalvadorBA, o controle da imensa costa brasileira era ainda muito limitado.

Foi nesse contexto, que o militar e aventureiro francês, Nicolas Durand de Villegaignon, teve a ideia de fundar uma colônia numa região bem conhecida dos franceses: a atual baía de Guanabara.

Depois de uma viagem secreta de pesquisas até a região de Cabo Frio no verão de 1554, já bem conhecida de seus compatriotas na costa do Brasil, Villegaignon aproximou-se do vice-almirante francês, Gaspard de Coligny, então, um dos principais conselheiros do reino de França, que nutria fortes simpatias pelo movimento de Reforma religiosa em seu tempo.
Com isso, Villegaignon conseguiu o apoio do rei Henrique II de França, recebendo então, 2 navios aparelhados e alguns poucos recursos para a viagem. Tanto é que, na falta de voluntários para integrarem a expedição, Villegagnon percorreu as prisões da região Norte da França, prometendo a liberdade a quem quer que se juntasse à comitiva.

A expedição francesa comandada por Villegagnon chegou na Baía da Guanabara em 10 de novembro de 1555, sendo então bem recebida pelos índios tupinambás, já bastante acostumados à presença de franceses na região. O grupo instalou-se na pequena ilha de Serigipe, mais tarde denominada Villegaignon, onde foi construído em cerca de 3 meses e com o auxílio dos indígenas, o Forte Coligny, com suas 5 baterias apontadas para o mar. No entanto, Ao fim de alguns meses, essa mão-de-obra cansou-se dos presentes que recebia, assim como do excesso de trabalho, uma vez que os franceses se esquivavam das tarefas mais pesadas.

Diante de várias dificuldades surgidas na colônia, Villegaignon escreveu à Igreja Reformada de Genebra, solicitando então, o envio de pastores e colonos evangélicos, que pudessem contribuir para a elevação do nível moral e espiritual da colônia. Coligny convidou para liderar o grupo um ex-vizinho seu, Filipe de Corguilleray, conhecido como senhor Du Pont.

Com os objetivos específicos de implantar a fé reformada entre os franceses e evangelizar os indígenas no novo mundo, João Calvino e seus colegas alegremente escolheram para acompanhar os colonos, 2 pastores suíços: Pierre Richier, um homem maduro, de seus 50 anos, e Guillaume Chartier, um jovem de seus 30 anos de idade, que ainda estudava teologia.
Os escolhidos foram então acompanhados pelos huguenotes suíços/franceses, Pierre Bourdon, Matthieu Verneil, Jean du Bourdel, André Lafon, Nicolas Denis, Jean Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques Rousseau, além do sapateiro francês então radicado na Suíça, Jean de Léry, o cronista da viagem, que terminaria por escrever a obra "Viagem à Terra do Brasil" ou "Histoire d'un voyage fait en la terre du Brésil", (publicada em 1578).
Eram ao todo 14 pessoas, formando um grupo que deixou a cidade suíça de Genebra em 16 de setembro de 1556. Após visitarem o almirante Coligny, seguiram para a cidade e capital francesa de Paris, onde outros se uniram à comitiva.
É possível que entre eles estivesse o ferreiro huguenote e ministro calvinista, Jacques Le Balleur. No dia 19 de novembro desse mesmo ano, embarcaram para o Brasil no porto de Honfleur na Normandia.

A frota de 3 navios comandada pelo sobrinho de Villegaignon, Bois Le Conte, levava cerca de 290 pessoas, inclusive algumas mulheres, entre elas, 5 moças, para se casarem no Brasil. Como de costume, a viagem foi muito penosa, e, porque não haviam conseguido se abastecer nas Ilhas Canárias, os viajantes até necessitaram assaltar navios portugueses e espanhóis para obter água e provisões, racionadas durante a viagem, marcada, de resto, pela indisciplina a bordo.
A certa altura, diante da situação em que se achavam, os reformados recitaram o Salmo 107 (ver os versículos 23-30), e no dia 7 de março de 1557, os viajantes finalmente entraram no “braço de mar” chamado Guanabara pelos selvagens e Rio de Janeiro pelos portugueses.

Depois do desembarque no forte Coligny em 10 de março, o vice-almirante francês recebeu afetuosamente o grupo, e demonstrou alegria, porque os recém-chegados vinham estabelecer uma igreja reformada na nova terra. Logo em seguida, reunidos todos em uma pequena sala no centro da ilha, foi realizado um culto de ação de graças, que ficaria conhecido como o 1º culto protestante ocorrido no o Novo Mundo das Américas.

Nesse marcante culto, o ministro Richier orou invocando a Deus. Em seguida foi cantado em uníssono, segundo o costume de Genebra, o Salmo 5: "Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras". Esse hino, que até hoje se mantém nos hinários franceses, constava do Saltério Huguenote, com metrificação do artista francês, Clement Marot, e com melodia do diretor de música da Igreja de Genebra de 1545 a 1557 e um dos grandes mestres da música francesa no século 16, Louis Bourgeois. A sua versão mais conhecida em português: "À minha voz, ó Deus, atende", tem música do artista francês de 1572, Claude Goudimel, com metrificação do pastor congregacional brasileiro, Reverendo Manoel da Silveira Porto Filho.

Em seguida, o pastor Richier pregou um sermão com base no Salmo 27:4: "Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo".
Após o culto, os huguenotes tiveram sua primeira refeição brasileira: farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho [cinzas quentes que ficam no fogão de lenha, depois de apagado o fogo]. De seguida, dormiram em redes, à maneira indígena. A Santa Ceia segundo o rito reformado foi celebrada pela primeira vez no domingo, 21 de março de 1557.

Porém, esse espírito de boa convivência não durou muito. Em virtude de questões teológicas, Villegaignon passou a perseguir os colonos huguenotes, incitado pelo ex-frade dominicano, Jean de Cointac.
Com a passagem do navio Les Jacques), que seguiria para a França, os colonos expulsos resolveram retornar para seu país. "Mesmo não se opondo ao embarque, Villegaignon enviou instruções secretas para serem entregues ao 1º juiz em solo francês, dizendo para que "se executassem os huguenotes como traidores e hereges". No entanto, estas instruções acabaram não servindo diretamente para alguns dos colonos, pois, ao perceber o risco de naufrágio, 5 deles: Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André Lafon e Jacques Le Balleur voltaram à terra firme. Villegaignon os aprisionou imediatamente e exigiu que, em 12 horas, os detidos dessem uma resposta por escrito, a uma série de questionamentos teológicos. Os huguenotes presos ofereceram então uma resposta por meio da redação de um documento conhecido como "Confissão de Fé da Guanabara" em 17 de janeiro de 1958, que passaria a ser conhecido como 1º escrito protestante de toda a América.

Como os colonos reformados se recusassem a abjurar de suas convicções religiosas, Villegaignon os condenou a morte. "Bourdel, Verneuil e Bourdon foram estrangulados e lançados ao mar. Por ser o único alfaiate da colônia, André Lafon teve poupada sua vida, sob a condição de que não divulgasse as suas ideias religiosas".
O único huguenote rebelde que conseguiu fugir, foi Jacques Le Balleu, que se vandeou até a atual cidade brasileira de São Vicente-SP, e que teve a sorte de ser poupado e não foi devorado pelos índios, por estar com um livro, que os Tupinambás pensaram fosse a tão esperada e prometida Bíblia, então tida como um amuleto pelos nativos, mas que na verdade se tratava apenas de uma peça de Rabelais.

Em São Vicente, Le Balleur pregou a fé cristã a partir do ponto de vista calvinista, o que fez com que os jesuítas forçassem a Câmara para prendê-lo, e em 1559. ele Foi torturado para dar informações estratégicas do Forte Coligny. Levado a Salvador na Bahia, onde Mem de Sá concordou em condená-lo por ser seguidor da fé protestante, foi executado em abril de 1567, na presença do padre Jesuíta, José de Anchieta.

Quando os pastores calvinistas regressaram à França no início de 1558, Villegagnon dispunha apenas de 80 homens, entre franceses e escoceses.
Diante das acusações dos calvinistas, na França, Villegagnon retornou em 1559, para justificar-se, deixando em seu lugar e à testa do estabelecimento, o seu sobrinho, Bois-le-Comte.

Na ausência de Villegagnon, o estabelecimento foi destruído em 1560, por forças portuguesas comandadas pelo 3º governador geral do Brasil, Mem de Sá, e os franceses expulsos da costa brasileira pelo sobrinho de Mem de Sá, Estácio de Sá, em 20 de janeiro de 1567.
Nesta última fase da campanha, entre 1565 e 1567, ocorreu a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Fontes consultadas:

  1. alerjln1.alerj.rj.gov.br/…
  2. legis.alepe.pe.gov.br/…
  3. ipbur2.blogspot.com/…
  4. www.mackenzie.br/…
  5. pt.wikipedia.org/…

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