Dia da Saudade do Jornalista Falecido (21 de novembro)

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O Dia da Saudade do Jornalista Falecido em 21 de novembro de cada ano, é uma comemoração na cidade brasileira de São Paulo-SP, que foi instituída pela Lei Nº 11.876 de 21 de abril de 1995, e que foi ratificada pela Lei Nº 14485 de 19 de julho de 2007, contando também com o "Dia de Líbero Badaró" no Estado brasileiro de São Paulo.

Essa data comemorativa de paulistanos tem por fim, marcar a data do aniversário da morte do médico, jornalista e político italiano radicado no Brasil, João Batista Líbero Badaró [Giovanni Battista Libero Badarò], que foi assassinado por inimigos políticos em 21 de novembro de 1830 na capital de São Paulo, apenas 4 anos após chegar nas Terras Brasilis, cuja morte teria sido responsável pelo movimento popular que resultou na abdicação do imperador do Brasil, Dom Pedro I, ocorrida em 7 de abril de 1931, dando origem também ao "Dia do Jornalismo" no Estado brasileiro do Rio de Janeiro e ao "Dia do Jornalista" de brasileiros.

Para conhecimento, Líbero Badaró nasceu na Itália e mudou-se para o Brasil no ano de 1826, juntamente com outros médicos italianos, dentre os quais, Cesare Zama de Faenza, (pai do futuro tribuno italiano, César Zama, e que também teve um fim trágico. Aqui se naturalizou, radicou-se e veio a se tornar um liberal, um liberalista, ou seja, um homem de princípios políticos em busca da liberdade dos cidadãos no Brasil. Em 1828 se radicou na cidade de São Paulo, onde clinicava e dava aulas gratuitas de matemática. Na Itália, ele havia frequentado as universidades de Turim e Pavia, onde se formou em medicina. Ainda na Europa, publicou algumas obras técnicas, versando sobre fisiologia, zoologia e botânica.

Defensor do liberalismo, Líbero Badaró fundou e redigia o jornal "O Observador Constitucional", surgido em 1829, impresso na tipografia de "O Farol Paulistano", a princípio sob a direção do próprio Badarò e de Luís Monteiro d'Ornelas e, depois de meados de 1830, sob a direção exclusiva do primeiro. O jornal liberal tinha feição moderada, como a que Evaristo da Veiga imprimia no Rio de Janeiro à "Aurora Fluminense". Como esse, granjeara em pouco tempo grande divulgação, que lhe garantia a malquerença dos absolutistas.

O jornal de Líbero Badaró omentou os acontecimentos da "Revolução de 1830" na cidade e capital francesa de Paris, notícia chegada ao Rio de Janeiro em 14 de setembro; a "Revolução dos Três Dias" - em que Carlos X fora destronado em julho passado - exortando os brasileiros a seguirem o exemplo dos franceses. Em sua obra, "Armitage" diz: O choque foi elétrico. Muitos indivíduos no Rio, Bahia, Pernambuco e São Paulo iluminaram suas casas por esse motivo. Excitaram-se as esperanças dos liberais e o temor dos corcundas, e estas sensações se espalharam por todo o Império por meio dos periódicos.

Provavelmente por conta disso, em São Paulo, os estudantes do Curso Jurídico tomaram a iniciativa. "Luminárias, bandas de música e mais demonstrações de alegria praticadas pelos habitantes de São Paulo, celebrando o derrubamento do governo tirano e anticonstitucional da França", conforme parecer da Comissão de Constituição da Câmara, (como consta de seus Anais, 1830, tomo II), assumiram para o médico, advogado, desembargador e então Ouvidor Mor do Estado de São Paulo, Cândido Ladislau Japiassú de Figueiredo e Mello, feição de atos criminosos, o que o levou a processar alguns manifestantes, de preferência jovens estudantes. O "O Observador Constitucional" abriu campanha em favor dos acusados e atacou Japiaçu, chamando-o Caligulazinho. A linguagem era viva e enérgica, mas não justificaria o desfecho violento.

Em 20 de novembro de 1830, às 10 horas da noite, quando voltava para sua casa, na rua de São José (mais tarde rua Líbero Badaró), sem perceber que era uma cilada, o jornalista foi interpelado por quatro alemães, a pretexto de lhe entregarem uma correspondência contra o ouvidor Japiaçu, porém recebeu deles, traiçoeiramente, uma carga de bacamarte, caindo mortalmente ferido.
Supõe-se que ao morrer pronunciou uma frase que celebrizou-se como símbolo da defesa da liberdade de imprensa: "Morro defendendo a liberdade", ou ainda: "Morre um liberal, mas não morre a liberdade".

O "O Observador Constitucional" dedicou o seu número de 26 de novembro à morte de seu criador: "Morro defendendo a liberdade", disse ele em seus minutos finais. A repercussão em São Paulo foi imediata. A seu enterro compareceram 5 mil pessoas e mais de 800 tochas foram acesas, na sua tumba foram gravadas suas últimas palavras.

O principal responsável pelo ataque fora o lavrador alemão, Henrique (ou Simão) Stock, que segundo se conta, teria se escondido na casa do Ouvidor Mor a serviço do Imperador do Brasil, Dom Pedro I. O povo, que queria justiça sumária, exigia a prisão de ambos. O alemão Stock foi preso, Japiaçu continuou ameaçado e pediu asilo a um coronel, quando entraram autoridades a concertar providências. A exaltação do povo continuou e o Conselho de Governo da Província mandou para o Rio o Ouvidor Mor, que então fora denunciado, sob escolta. O padre Diogo Antônio Feijó, como membro do Conselho, teve parte ativa nas deliberações e de sua iniciativa foram as principais medidas para a busca de punição para os culpados. O alemão Stock foi condenado pelo assassinato, mas Japiaçu, o Caligulazinho, foi inocentado.

Dom Pedro I perdia prestígio com fatos como esse, que demonstravam então sua postura autoritária, uma vez que a burguesia que o apoiou no processo de independência, ansiava por se livrar do controle de Portugal. Sucederam-se os gabinetes, impopulares, muito embora com homens de valor por vezes; o príncipe, desde a dissolução do Ministério em 4 de dezembro de 1829, quando demitira o marquês de Barbacena, parecia incompatibilizado com o sistema constitucional. O assassinato de Libero Badarò tornou o ambiente mais propício aos liberais mais exaltados.
No ano seguinte, em 1831, com seu poder já fragilizado, Dom Pedro I abdicou da coroa do Império do Brasil, abandonando-a sobre a cama de seu filho e legítimo herdeiro, Dom Pedro II, e retornou para Portugal, na companhia da madrasta do futuro imperador, que assumiu a coroa e se tornou o segundo imperador do Brasil, com apenas 14 anos de idade.

Fontes consultadas em 3 de novembro de 2016 às 09:01:35:

  1. www.al.sp.gov.br/…
  2. www.radarmunicipal.com.br/…
  3. www.webartigos.com/…
  4. pt.wikipedia.org/…

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