Dia da Língua Internacional Esperanto (15 de dezembro)

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta: http://datascomemorativas.org/3497

Próxima Celebração "Dia da Língua Internacional Esperanto": Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017, : daqui 80 dias, 09:58:15-03:00.
Tempo médio de leitura para essa data comemorativa: ± 10 minutos.

O Dia da Língua Internacional Esperanto em 15 de dezembro de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro de são Paulo, que foi estatuída pela Lei Nº 505 de 18 de novembro de 1974.

Essa data comemorativa de paulistas tem por fim, marcar a data do aniversário do nascimento do oftalmologista polonês, Ludwik Lejzer Zamenhof, que veio ao mundo em 15 de dezembro de 1859, e que foi o idealizador da língua Esperanto em 1887, na perspectiva de que a mesma se tornasse uma língua de uso universal, e com a intenção de criar uma língua de mais fácil aprendizagem e que servisse como língua franca internacional para toda a população mundial, e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes, sendo hoje, a língua artificial mais falada no mundo, empregada em viagens, correspondências, intercâmbios culturais, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio.
Alguns sistemas estatais de educação oferecem cursos opcionais de esperanto, e há evidências de que aprender e falar esperanto, auxilia na aprendizagem dos demais idiomas.
Ao contrário da maioria das outras línguas planejadas, o esperanto já saiu dos níveis de projeto (publicação de instruções) e semilíngua (uso em algumas poucas esferas da vida social). Porém, apesar da facilidade gramatical, o Esperanto enfrenta dificuldade de ser adotado como língua auxiliar universal, porque as pessoas, em geral, parecem preferir línguas naturais, adotadas pela sociedade de maneira espontânea e não programada, do que línguas planejadas.

Para conhecimento, Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Białystok (atualmente na Polônia, na época Império Russo). Em Białystok, moravam muitos povos e falavam-se muitas línguas, o que dificultava a compreensão, mesmo nas mais cotidianas situações, o que o motivou a criar uma língua auxiliar neutra, a fim de solucionar o problema.

Durante a adolescência, Zamenhof criou a 1ª versão da lingwe universala, uma espécie de esperanto arcaico. O seu pai, entretanto, fê-lo prometer deixar de trabalhar no seu idioma, para se dedicar aos estudos. Zamenhof então foi para a cidade e capital russa de Moscou estudar medicina. Numa de suas visitas à terra natal, descobriu que seu pai queimara todos os manuscritos do seu idioma.
Zamenhof pôs-se então a reescrever tudo, adicionando melhorias e fazendo a língua evoluir.

O 1º livro sobre o esperanto foi lançado em 26 de julho de 1887, em russo, contendo então as 16 regras gramaticais, a pronúncia, alguns exercícios e um pequeno vocabulário. Logo depois, mais edições do "Unua Libro" foram lançadas em alemão, polaco e francês. O número de falantes cresceu rapidamente nas primeiras décadas, primordialmente no Império Russo e na Europa Oriental, depois na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão. Muitos desses primeiros falantes vinham de outro idioma planificado: volapük.
As primeiras revistas e obras originais em esperanto começaram a ser publicadas. Em 1905, aconteceu o "1º Congresso Universal de Esperanto", em Bolonha-sobre-o-Mar, na França, juntando então quase mil pessoas, de diversos povos. Em 1906, na cidade brasileira de Campinas-SP, foi fundado, no Brasil, o primeiro grupo esperantista: o "Suda Stelaro".

Todo o movimento esperantista avançava a passos largos e seguros, mas, com o advento das duas guerras mundiais, o movimento teve um recuo: as tropas comandadas por Hitler perseguiam e matavam os esperantistas na Alemanha e nos países dominados por esta; as tropas de Stalin faziam o mesmo na Rússia; a família de Zamenhof foi dizimada; no Japão e na China, a perseguição ao esperanto também ganhou proporções assustadoras.
Após o fim da 2ª guerra mundial, o esperanto reergueu-se. Em 1954, a UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura ou "United Nations Educational, Scientific and Cultural Organisation"] passou a reconhecer formalmente o valor do esperanto para a educação, a ciência e a cultura, e, em 1985, a mesma Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura recomendou, aos países-membros, a difusão do esperanto em seus territórios.
Após 1995, com a popularização e disseminação da internet, o movimento esperantista ganhou uma nova força propulsora. Uma evidência do maior interesse contemporâneo pelo esperanto pode ser percebida pelo considerável número de artigos na Wikipédia em esperanto: mais de 189 000, em dezembro de 2013, com índice de profundidade 18 — número maior que o de muitas línguas étnicas.

Atualmente, esperantófonos são mais numerosos na Europa e Ásia Oriental do que nas Américas, África e Oceania, e mais numerosos em áreas urbanas do que em rurais. Na Europa, são mais comum nos países do norte e do leste; na Ásia, na China, na Coreia, no Japão e no Irã; nas Américas, no Brasil, na Argentina e no México; na África, no Togo e em Madagascar.

Uma estimativa do número de esperantófonos foi feita pelo professor de psicologia aposentado da Universidade de Washington-DC e esperantista de longa data, Sidney S. Culbert, que, por mais de 20 anos, rastreou e avaliou esperantófonos em áreas de amostragem em dezenas de países. Culbert concluiu que entre um e dois milhões de pessoas falam esperanto no nível 3 da escala ILR [competência linguística para trabalho profissional ou "Interagency Language Roundtable"]. A estimativa de Culbert não foi feita apenas para o esperanto; incluía-se numa listagem de estimativas para todas as línguas com mais de um milhão de falantes, publicada anualmente no "O Livro de Fatos e Almanaque Mundial" ou "The World Almanac and Book of Facts". Uma vez que Culbert nunca publicou os resultados detalhados para países e regiões particulares, é difícil verificar a precisão dos dados compilados por ele.

Muitos esperantófonos tomaram a iniciativa de aprender esperanto pelo chamado "problema linguístico" ou "lingva problemo". Uma das maiores faces desse problema é o chamado imperialismo cultural, que encerra, em si, o favorecimento a poucos grupos linguísticos, e a pouca praticidade da estrutura vigente de comunicação entre sujeitos sociais de línguas diferentes. Vários estudiosos têm se debruçado sobre esses aspectos. Por exemplo, a médica e esperantista brasileira, Izabel Cristina Oliveira Santiago, levanta várias ocasiões históricas em que o custo de traduções alcança níveis questionáveis, como no caso da "Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento" ou "United Nations Conference on Trade and Development", realizada na cidade e capital indiana de "Nova Délhi em 1968, custou mais de 2 milhões de dólares norte-americanos, sendo que mais da metade disso foi gasto com o uso de apenas 4 línguas, então tidas como predominantes. [...] só em 1976, por exemplo, em vez de serem investidos na alimentação das multidões de famintos, 700 mil dólares estadunidenses foram gastos para traduzir, em 6 línguas, os relatórios sobre a fome mundial. O psicólogo belga e ex-tradutor da Organização das Nações Unidas, Claude Piron, também se dedicou a essa temática, abordando-a sob um ponto de vista psicológico, e a partir de vastíssimo material bibliográfico e documental, tratando então a insistência no atual modelo de comunicação internacional, como uma neurose.

Atualmente, de 1 200 a 3 000 esperantistas encontram-se anualmente no Congresso Universal de Esperanto.
A língua mostra-se útil essencialmente para a troca de informações entre indivíduos de etnias diferentes que, doutra maneira, só seria realizada através de elementos mediadores: uma língua estranha a pelo menos um deles, um intérprete, organizações privadas, Estados etc...

Como uma língua planejada, o esperanto realmente não possuía a princípio uma cultura, mas os quase 130 anos de história e divulgação da língua geraram o que poderíamos chamar assim. Algumas pessoas acusam-no quanto a ser um "idioma universal" por não apresentar cultura, literatura, falantes nativos e por outras razões. Em contrapartida, já há elementos de cultura própria do esperanto, há um acervo considerável de músicas e obras literárias originais na língua (inclusive alguns escritores, como o poeta, autor, tradutor e editor escocês de revistas, William Auld, que já foram indicados ao Nobel de Literatura por suas obras originais em esperanto), há pessoas que têm o esperanto como língua materna (na maioria dos casos, poliglotas) e a língua é usada em todos os continentes.

O esperanto não veio de uma cultura específica, mas formou uma. Esperantistas falam em esperanto e sobre esperanto, usando termos, gírias, sarcasmos e uma série de expressões próprias do meio esperantista, alguns aspectos comuns de todos os esperantistas podem definir tal cultura.
A literatura em esperanto, consistindo de obras traduzidas e escritas diretamente na língua é altamente universalista, pois são adicionadas à literatura esperantista as melhores obras de cada nação, juntamente com os aspectos particulares de cada uma, assim como as crenças e costumes típicos de cada povo. Nas obras escritas diretamente em esperanto, vemos a mesma universalidade presente em toda a cultura esperantista.

Devido à ideia inicial de fraternidade do esperanto, a tolerância e respeito aos costumes e crenças dos vários povos consiste em um dos componentes dessa cultura; o repúdio ao imperialismo cultural é comum entre os esperantistas, e o desejo de intercâmbio e contato com outros povos apresenta-se na absoluta maioria dos esperantistas, muitas vezes consistindo um dos motivos do aprendizado da língua. Isso é comprovado na leitura do "Manifesto de Praga", documento que sintetiza os objetivos comuns a todos os falantes do esperanto.

O esperanto é, frequentemente, usado para se ter acesso a uma cultura internacional, dispondo ele de um vasto leque de obras literárias, tanto traduzidas como originais. Há mais de 25000 livros em esperanto, entre originais e traduções, além de mais de uma centena de revistas editadas regularmente. Muitos esperantófonos usam a língua para viajar livremente pelo mundo usando o "Pasporta Servo", uma rede internacional de hospedagem solidária. Outros têm correspondentes em vários países diferentes, através de serviços como o "Esperanto Koresponda Servo".

Com o desenvolvimento da internet e sua maior popularização, as iniciativas de imprensa em esperanto têm se tornado mais fáceis, e pouco a pouco ela se desenvolve.
Atualmente, vários Estados subvencionam transmissões regulares em esperanto de suas estações de rádio oficiais, como República Popular da China, Polônia (diariamente), Cuba, Itália e Vaticano. Em menor escala, várias estações de rádio mantêm programas em ou sobre esperanto, como a Rádio Rio de Janeiro, que tem um departamento dedicado exclusivamente ao esperanto.

Além do desenvolvimento da cultura em torno da língua, é interessante notar que a causa esperantista parece atingir um grupo especial de indivíduos, tendo eles em comum o desejo de democracia e igualdade entre as nações. A constante entrada desses indivíduos no meio esperantista, faz com que sua cultura se desenvolva e se torne mais universalista a cada dia. Um excelente exemplo das particularidades da cultura esperantista são as expressões idiomáticas surgidas ao longo da evolução da língua, frutos diretos da comunicação internacional entre esperantistas.

Um argumento comum dos esperantistas é que o esperanto é uma língua democrática, pois através dela uma cultura não é imposta aos novos falantes, como é o caso do inglês, então caberia perguntar se essa cultura nova, gerada ao longo da evolução esperantista pós guerras não seria imposta aos povos que a adotarem como língua auxiliar. Isso certamente pode acontecer, mas por ser altamente universalista, ela tenderia a não causar males às culturas locais, e sim absorver para si mais e mais dessas culturas locais, a cultura da língua esperantista, se adotada pelos povos, seria então uma cultura comum, gerada por todas as nações, e que poderia até mesmo servir para aproximar algumas populações. No Manifesto de Praga, a democracia cultural é tratada como algo extremamente forte no esperanto.
Os Congressos Universais de Esperanto, realizados anualmente desde 1905 (excluindo-se o período das grandes guerras), alimentam e aprimoram a cultura esperantista. Nesses congressos é visível a plena existência de uma cultura geral, independente da nacionalidade de cada participante. Os Discursos de Zamenhof mostram alguns indícios dessas características de forma clara.
Comparado a uma língua étnica, o esperanto apresentou algumas utilidades particulares:

  • Efeito propedêutico: existem evidências de que estudar esperanto antes de estudar qualquer outra língua acelera e melhora a aprendizagem, pois aprender outras línguas estrangeiras a seguir é mais fácil que aprender a primeira, enquanto que o esperanto reduz os obstáculos associados com a "primeira língua estrangeira", cujo fenômeno é conhecido como efeito propedêutico, sendo muito acentuado no esperanto. Por exemplo, como parte de um estudo, um grupo de estudantes do ensino secundário estudou esperanto durante seis meses e, depois, francês durante ano e meio, obtendo um melhor conhecimento de francês do que o grupo-controle, que estudou só o francês durante dois anos. É provável que outras línguas planificadas também apresentem esse efeito no mesmo grau que o esperanto, mas devido ao maior número de falantes e melhor disponibilidade de material didático, a língua esperantista parece ser a mais recomendável para obter o efeito propedêutico.
  • Traduções: a enorme flexibilidade do esperanto, a possibilidade do uso de diversas nuances, e a sua simplicidade gramatical tornam a língua uma ótima candidata para uma língua intermediária nas traduções. Um ótimo exemplo foi o uso do esperanto para a tradução de alguns livros da editora Federação Espírita Brasileira para a língua japonesa, nesse caso, os originais em francês foram traduzidos para o esperanto, e do esperanto para o japonês, já que se tem um bom número de falantes de esperanto no Japão.

Fontes consultadas:

  1. www.al.sp.gov.br/…
  2. pt.wikipedia.org/…

Para dúvidas, críticas, sugestões, reclamações, convites e outros assuntos, por favor, Entre em contato

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta: http://datascomemorativas.org/3497

RSS/XML