Dia da Conscientização do Mutismo Seletivo (31 de outubro)

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Próxima Celebração "Dia da Conscientização do Mutismo Seletivo": Terça-Feira, 31 de Outubro de 2017, : daqui 35 dias, 10:07:30-03:00.
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O Dia da Conscientização do Mutismo Seletivo em 31 de outubro de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro do Paraná, que foi instituída pela Lei Nº 18259 - 29 de Outubro de 2014.

Em que pese minhas pesquisas não haverem comprovado tal informação, pois apenas encontrei referência ao Mês da Conscientização para o Mutismo Seletivo ou "Selective Mutism Awareness Month" em sites estadunidenses de dias festivos, segundo o PROJETO DE LEI Nº 347 de 7 de agosto de 2013 da Assembleia Legislativa do Paraná, cuja informação não é confirmada pelo PROJETO DE LEI Nº 475 DE 14 de abril de 2015 da Assembleia Legislativa de São Paulo, essa data comemorativa já é festejada neste dia nos Estados Unidos da América, provavelmente, em relação direta com o Dia das Bruxas ou Halloween Day (31 de outubro) de norte-americanos, uma comemoração marcada pelo costume de as crianças baterem à porta de estranhos e conversarem com eles a procura de doces, como manda a tradição, bem ao contrário do comportamento que se nota em crianças com mutismo seletivo.

Para conhecimento, mutismo seletivo ou 'Mutismo eletivo é um transtorno psicológico caracterizado pela recusa em falar em determinadas situações ou locais sociais específicos, como escola, festas, rua, por exemplo, e com algumas pessoas, inclusive com pessoas da própria família, que foi relatado pela 1ª vez em 1877 como "falta voluntária da capacidade de falar", mas que faz com que o indivíduo consiga falar noutras ocasiões, nas quais ele se sinta plenamente confortável para soltar a voz, por isso, é comum para as pessoas com mutismo seletivo lutar para se comunicar em situações sociais, mesmo sem a sua voz (sussurrando, através de escrita, ou apontando, por exemplo).

Geralmente o mutismo seletivo envolve crianças tímidas, introvertidas e ansiosas, que falam apenas com algum ou ambos pais ou com outras crianças e animais, mas que não falam com adultos (como professores, médicos, dentistas, outros familiares e desconhecidos).
Essas crianças compreendem bem a linguagem e são capazes de falar com toda normalidade em lugares onde se sintam seguros e confortáveis, como por exemplo, em casa e com pessoas de seu círculo mais íntimo, tais como, pais e irmãos. Por isso, a escola é o lugar mais comum para alguém com mutismo seletivo ficar em silêncio, e dentro de sua casa é o lugar mais comum para que eles sejam capazes de falar. Daí o fato desse distúrbio se manifestar geralmente na fase pré-escolar e de jardim de infância.

O mutismo seletivo é uma das desordens psicológicas mais frequentes nas crianças. Indivíduos com este distúrbio conseguem falar e compreender a linguagem, mas o fazem somente em determinadas situações que supõem-se serem escolhidas por eles, visto que o indivíduo com mutismo seletivo quase nunca têm controle sobre quando eles falam normalmente e quando eles estão em silêncio, embora possa parecer que eles tenham controle disso, tanto é que, em 1994, o mutismo eletivo foi convertido em mutismo seletivo, pois o eletivo dava uma conotação que o indivíduo acometido pelo distúrbio fazia uma opção deliberada por não falar.
Já em outras áreas de aprendizagem e comportamento, a criança com mutismo seletivo costuma se desenvolver normalmente. As crianças que são acometidas pelo mutismo possuem uma inteligência preservada, normalmente, acima da média para a idade. O fato de não falarem em determinadas situações não significa que estão querendo chamar a atenção ou controlar o ambiente, mas sim que, em determinadas situações, terminam por demonstrar o grau de ansiedade e vergonha que estão sofrendo, e essas emoções as inibem de falar e expressar seu comportamento não-verbal.
Normalmente, essas crianças apresentam dificuldade em olhar nos olhos, dificuldade em sorrir, de se expressar em público, de ir ao banheiro, em comer na escola. A percepção dessas crianças é que estão sendo observadas constantemente, por isso, seus movimentos ficam paralisados como estátua e elas podem exibir linguagem corporal rígida e uma condição facial sem expressão em situações onde elas têm problemas de comunicação e cada vez que se sentem avaliadas.

Até bem pouco tempo, acreditava-se que este distúrbio afetava 1 em cada 1000 crianças. Todavia, mais recentemente pesquisas realizadas pela Academia norte-Americana de Pediatria para Crianças e Adolescentse ou "American Academy of Child and Adolescent Phychiatry" apontaram que a proporção é de sete para cada 1000 crianças, tornando o mutismo duas vezes mais prevalente do que o autismo. Aliás, muitas pessoas com autismo de alto funcionamento apresentam mutismo ou sintomas de mutismo seletivo seletivo, mas a maioria das pessoas com mutismo seletivo não são autistas.
No Brasil, os estudos a respeito do mutismo seletivo são escassos, bem como profissionais especializados no diagnóstico precoce e tratamento do mesmo, uma vez que esse distúrbio tem a particularidade de ser confundido com o autismo e com a Síndrome de Asperger, além de também ser facilmente confundido com timidez, sendo necessário e impreterível , um diagnóstico diferencial e tratamentos adequados, para essas crianças e seus familiares pois, embora seja considerado um transtorno raro, sendo encontrada em menos de 1% dos indivíduos vistos em contextos de saúde mental, tem sido observada no contexto clínico, uma incidência cada vez maior desse distúrbio entre os brasileiros.

Geralmente, este transtorno está relacionado com a existência de um elevado nível de ansiedade, que pode ter origem genética e associação com a atividade mais intensa da amígdala cerebelar.
A ausência da fala também pode apontar a presença de transtorno de comunicação, envolvendo tartamudez, dificuldade auditiva, transtorno de aprendizagem, transtorno de adaptação ou de separação, depressão nervosa, autismo ou transtorno de ansiedade.
Muito embora se acredite também que o mutismo seletivo possa estar ligado a um trauma psicológico, ele não é causado por trauma, pois quando se diz que algumas pessoas que passam por trauma sofrem "mutismo traumático", em que, de repente, param de falar em todas as situações durante um período relativamente curto de tempo, este é um padrão completamente diferente daquele constatado para o que se percebe no mutismo seletivo.

Aliás, consta que as causas da doença podem ser encontradas em 3 principais pilares:

  1. herança genética: a maioria das crianças que sofrem do mutismo apresentam uma predisposição genética a experimentar sintomas de ansiedade que é exacerbada por condições estressantes ou hostis;
  2. temperamental: traços de temperamento, como: vergonha, timidez, preocupações excessivas, evitação social, medo, apego e negativismo; e
  3. interações familiares: existe um consenso de que o mutismo é mantido na presença de características familiares, tais como: relação simbiótica, dependente e controladora entre mãe e filho, mães deprimidas e passivas.

Este transtorno ocorre em ambos os gêneros e surge antes da idade de cinco anos [fase pré-escolar] e o grau de persistência varia de poucos à muitos anos, mas é mais comum nos indivíduos do sexo feminino.
O mutismo seletivo pode ser completamente curado, mas isso tende a ficar mais difícil quanto mais tempo passa antes do início do tratamento correto pois, sem o tratamento adequado, não é incomum que o mutismo seletivo iniciado na infância continue na adolescência ou mesmo na idade adulta, podendo mesmo tornar-se significativamente pior em vez de melhorar ao longo do tempo.
Quando não tratados, indivíduos acometidos pelo mutismmo seletivo podem desenvolver na adolescência uma fobia social grave, pois as pesquisas indicam que a doença pode desaparecer espontaneamente, mas em geral, quando não tratada se torna crônica e altamente resistente a qualquer tipo de tratamento.
Acredita-se que muitas crianças com mutismo seletivo não tratada transformem-se em adultos que podem falar, mas que podem sofrer de transtorno de ansiedade social grave e, possivelmente, depressão, visto que mais de 90% das pessoas com mutismo seletivo tem transtorno de ansiedade social, também chamado de fobia social, daí o consequente diagnóstico para os adultos não tratados.

Por falar em tratamento, a terapia mais indicada para o tratamento do mutismo é a cognitivo-comportamental, pois combina técnicas que vão auxiliar a criança a manifestar a fala e desenvolver habilidades sociais importantes nessa fase da vida. O tratamento precisa envolver a família da criança, a escola que ele estuda e o próprio paciente.
Por fim, existe ainda a necessidade urgente de que educadores de redes municipais, estaduais e escolas particulares recebam treinamento adequado para a realização de um diagnóstico inicial, dando a oportunidade a estas crianças de receber o correto tratamento para o mutismo seletivo.

Fontes consultadas:

  1. www.al.sp.gov.br/…
  2. portal.alep.pr.gov.br/…
  3. portal.alep.pr.gov.br/…
  4. www.al.sp.gov.br/…
  5. www.cordosomterapias.com.br/…
  6. www.noticianahora.com.br/…
  7. www.socialanxietysupport.com/…

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